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Pesquisa TIC Covid-19 mostra que hábitos digitais de brasileiros aumentaram durante pandemia

O Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), divulgou uma nova pesquisa hoje (13/8) que traça o impacto que a pandemia do novo coronavírus influenciou no uso da Internet no País. A primeira edição do Painel TIC Covid-19 avaliou os hábitos de compra e consumo de cultura por meios digitais. O destaque é que 66% dos entrevistados dizem ter feito alguma compra online durante a quarentena, frente a 44% dos respondentes em 2018.

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O aumento foi visto em todos os recortes. As classes D e E, por exemplo, viram um crescimento acima do dobro, com 44% dos entrevistados tendo feito alguma compra de serviço ou produto pela Internet, frente a 18% em 2018. No entanto, a desigualdade ainda é grande, com 83% da classe AB tendo usado o e-commerce em 2020. Destaque também para a faixa etária, com 67% de pessoas com 60 anos ou mais comprando pela Internet em 2020 (foram 41% em 2018), provavelmente para se manterem mais seguras. 

A pesquisa não mostra quanto os entrevistados gastaram em compras, mas apresenta o que foi comprado por eles. A compra pela Internet de comida ou produtos alimentícios mais que dobrou, com 54% comprando estes itens em comparação com 22% em 2018, assim como a de medicamentos, que passou de 15% para 31%. Produtos de higiene pessoal e cosméticos também aumentaram de 25% para 44%, o que comprova que as pessoas passaram a comprar produtos considerados essenciais pela Internet. 

Em questão de serviços, o destaque é o crescimento no aumento de pedidos por refeições por site ou aplicativo, que subiu de 15% para 44%. A assinatura de serviços de filmes ou séries também subiu de 34% para 43%, enquanto os pedidos por táxi ou motorista por app se mantiveram estáveis, com queda de 39% para 38% no período. 

Também houve aumento considerável por aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, uma via de compra de 46% dos respondentes (eram 26% em 2018). 

A pesquisa ainda mostrou aumento no número de transações financeiras, com 71% das pessoas utilizando a Internet para consultar saldos, fazer pagamentos, entre outros serviços. Na pesquisa de 2019, este índice era de 42%. “As classes C, D e E aumentaram bastante no uso de serviços financeiros online por causa do auxílio emergencial”, afirma Fábio Senne, coordenador de projetos de pesquisas do Cetic.br. O uso da Internet para realizar serviços públicos também foi considerável, passando de 36% para 54% no período. 

Trabalho e estudo 

Segundo o Painel TIC Covid-19, houve aumento considerável no ensino online, com 33% dos respondentes tendo feito algum curso a distância, frente aos 16% de 2019. O aumento do estudo por conta própria via Internet também cresceu de 45% para 55% no período. Já o trabalho remoto não cresceu tanto, passando de 41% para 49%. Mais dados sobre estes segmentos devem ser divulgados em breve, em nova edição da pesquisa. 

Metodologia da pesquisa foi diferente 

É importante ressaltar que o Painel TIC Covid-19 tem uma metodologia diferente da adotada nas tradicionais TIC Domicílios divulgadas anualmente pelo Cetic.br, que são feitas com entrevistas pessoalmente. Devido ao distanciamento social, o órgão optou por fazer uma pesquisa online. Foram entrevistadas cerca de 2,6 mil pessoas com 16 anos ou mais, amostra que representa 100 milhões dos 120 milhões de usuários da Internet no Brasil, segundo estimativas do Cetic.br. 

Cetic.br ressalta que a pesquisa não considerou pessoas que não tem acesso à Internet. As comparações com pesquisas TIC Domicílios anteriores foram possíveis porque o Cetic.br fez um recorte dos dados. “A separação foi feita para que seja possível comparar populações iguais”, explica Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br. 

 

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