Pela primeira vez na história da internet, as perdas provocadas pelo uso de softwares ilegais ultrapassou a marca dos US$ 50 bilhões, segundo pesquisa do IDC. Um dos principais fatores que provocam o aumento da pirataria é, justamente, o aumento do acesso à internet. Foram 135 milhões de novos usuários em 2008, o que fomentou o crescimento da taxa mundial de pirataria de 38% para 41% em um ano. Esse índice representa um aumento de 11% nos prejuízos globais.
Outra indicação do estudo mostra que para cada US$ 100 em softwares vendidos, US$ 69 foram gastos com produtos piratas, situação que pode piorar em períodos de crise. Isto porque, nesse momento, consumidores com poder de compra reduzido tendem a mantêr seus computadores antigos, que possuem um número maior de softwares ilegais. Por outro lado, a venda de netbooks, que são mais baratos, deve estimular a legalidade, uma vez que eles já vêm com os programas instalados.
Hoje, apenas 44% dos softwares utilizados no mundo são legítimos e 15% funcionam no modelo open source. “Continuamos a evoluir significativamente na luta contra a pirataria de software para PC, o que ajuda não apenas a indústria de software, mas a economia e a sociedade como um todo”, diz o presidente e CEO da BSA (Business Software Alliance), Robert Holleyman. “A notícia ruim é que a pirataria de software continua preponderante em todo o mundo, minando empresas locais de TI, dando vantagens injustas aos piratas e espalhando riscos de segurança”.
Brasil
Apesar do aumento da pirataria em nível internacional, o Brasil figura em um cenário diferente. A pesquisa indica uma redução de um 1% no uso de sistemas ilegais no último ano, chegando a 58%. No acumulado dos últimos três anos a diminuição chegou a 6%. De acordo com José Curcelli, diretor da Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software), o País possui um mecanismo diferenciado, já que 85% da economia independe das relações com o exterior. “Apesar da previsão de queda na receita de algumas empresas de software na América Latina, as vendas estão aumentando. Já contabilizamos 11% de crescimento em maio, impulsionado pelos incentivos governamentais e pelo crescimento do setor, que já ultrapassou os 7% previstos para 2009”.
O Brasil também manteve sua posição entre os países do BRIC e apresentou o menor índice de pirataria entre eles, seguido da Índia com 68%, da Rússia, também com 68% e da China com 80%.
Dentre os países da América Latina, o País possui a segunda menor taxa, ficando atrás da Colômbia, com 56%. Porém, a região latinoamericana apresenta a maior média de pirataria do mundo. São 65% de softwares ilegais, o que representa um prejuízo de 4,3 bilhões de dólares para o continente.
Frank Caramuru, diretor da BSA no Brasil, acredita no aumento do combate à pirataria no País. “Apesar da queda de apenas 1%, esse número deverá ser crescente. Estamos com boas expectativas para 2009 e acreditamos em uma evolução constante”, afirma.
Riscos sociais
A pirataria de software não afeta apenas a própria indústria de softwares. O estudo prevê que uma suposta redução de 10 pontos percentuais nos próximos quatro anos no País poderia gerar 11,5 mil novos empregos, US$ 2,9 bilhões em receita para a indústria local e US$ 389 milhões adicionais em impostos.
Segundo Caramuru, a pirataria ainda é um crime socialmente aceito. “Devido a tolerância cultural envolvida nesse problema, acreditamos que para diminuir os efeitos da ilegalidade é necessário desenvolver iniciativas em três pilares fundamentais: educativo, econômico e repressivo”, conclui o executivo.