No ano em que vendeu duas unidades de negócio – detecção de fraude on-line e de software local da – para a Stefanini, a Diebold Nixdorf, anuncia crescimento de dois dígitos da sua operação no Brasil em 2020. A despeito da pandemia, a empresa ampliou sua participação de mercado de soluções de automação bancária, consolidando sua posição de liderança como parceiro estratégico para o segmento financeiro.
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A aposta da companhia são as soluções inteligentes de automação de depósito, os ATMs com capacidade de reconhecer dinheiro e cheque e equipados com recicladores, o que permite intervalos maiores de abastecimento de dinheiro nos caixas.
Elias Rogério da Silva, presidente da Diebold Nixdorf no Brasil, ressalta que a tecnologia de recicladores de ATMs da empresa está sendo utilizada por oito de cada dez caixas eletrônicos do Brasil (80% de participação de mercado).
Outro destaque da companhia no País é o aumento da demanda no varejo, com o avanço da oferta de software para gerenciamento dos recebíveis, e de soluções de autoatendimento do tipo self-checkout, estendendo a atuação da empresa dentro da gestão dos pontos de venda.
A empresa também registrou forte crescimento da unidade de serviços – Professional Service – provocado pela demanda dos bancos para implementar o PIX e, mais recentemente, com o preparo do varejo para atender os serviços de saques, que o Banco Central já anunciou para 2021. Nesta entrevista, Elias Silva comenta estes dois movimentos e reafirma a crença da empresa no alto volume de dinheiro circulante no Brasil e em outros países onde a cultura dos pagamentos com dinheiro ainda é forte. Acompanhe.
IPNEWS: A companhia cresceu dois dígitos em 2020. Este resultado tem influência da negociação feita com a Stefanini?
Elias Rogério da Silva: Nenhuma influência, porque toda ação e estratégia inorgânica, como foi o caso desta transação, cai no que chamamos tecnicamente de “bellow the line”, ou seja, não impacta o meu PNL, isto vai para um número corporativo. O crescimento de dois dígitos no Brasil é fruto de negócios com clientes que nós fechamos com a venda das nossas soluções, muito alinhados com a automatização de depósitos e reciclagem de moedas, que tem sido a onda no último ano e meio e possivelmente a onda de inovação neste mercado de automação bancária no Brasil por pelos próximos três a cinco anos.
IPNEWS: A ideia do PIX é reduzir o volume de moedas circulante. Você pode dizer se o PIX causa algum impacto nos negócios da Diebold?
ES: Há duas vertentes. Uma que há impacto de negócios, especialmente nas nossas práticas de software e de professional services. A gente teve o SPB há 20 anos, que instituiu as TEDs, etc., e este é o SPI (Sistema de Pagamento Instantâneo). Para a implementação disto, os bancos precisaram do nosso apoio, então houve projetos nossos junto aos bancos para adaptar a infraestrutura e o software deles para que pudessem operar neste ambiente de transações instantâneas. Então, por um lado, houve uma demanda adicional de trabalho das nossas equipes de professional services e de software. A diminuição da quantidade de dinheiro circulante, é como eu comentei, este ano a gente teve um aumento no volume de dinheiro circulando no Brasil. Um aumento de praticamente 30% da quantidade de dinheiro que circulava antes da pandemia com a de dinheiro que a gente apura agora, ao final do ano.
Isto não é uma realidade única do Brasil. Nos Estados Unidos, no início do ano, a quantidade de dinheiro em circulação era aproximadamente 6% do PIB e a quantidade de dinheiro em circulação agora é 11% do PIB. Isto pode ser atribuído a alguns fatores: primeiro que as pessoas normais sacavam uma quantia para passar a semana e neste novo momento da pandemia, a pessoa, especialmente motivada pelo medo que a pandemia trouxe, passou a dobrou ou triplicou o valor do saque e a ter mais dinheiro em casa com algum receio de algum lockdown que, eventualmente, a impedisse de sair de casa; o segundo fator: aproximadamente 60 milhões de brasileiros receberam o auxílio emergencial do governo, sendo que a grande maioria, senão todos, são desbancarizados, são pessoas que pegaram o seu cartão de benefício, foram a uma máquina e fizeram o saque integral deste valor e passaram a utilizá-lo em espécie nas suas questões do dia-a-dia; e o terceiro fator que contribui para o aumento da circulação de dinheiro é o mercado informal – naturalmente tivemos um aumento do desemprego no Brasil, há taxa de desemprego no passado estava na casa de 11% da população economicamente ativa e hoje está em 14%, e estas pessoas não deixaram de produzir, a pessoa abriu o seu pequeno comércio, o seu mercado informal como forma de trazer um provento para a sua casa.
Isto é algo que a gente debate muito internamente – a circulação dinheiro x as transações eletrônicas ou dinheiro digital – e há consenso de que há mercados altamente desenvolvidos, como alguns países europeus que já trabalham com conceito cashless society – sem dinheiro ou cheque – com apenas transações eletrônicas. E há outros mercados, como a Alemanha, que é altamente desenvolvida e se mantém como cash based society. É cultura. Não é tecnológico apenas ou diretamente relacionado ao nível de desenvolvimento de uma sociedade. Aqui no Brasil a gente tem a cultura do uso do dinheiro. Os relatórios da Febraban mostram que, nos últimos 10 anos, há crescimento exponencial, um volume crescente das transações dos canais digitais, mas o número absoluto de transações nos ATMs tem se mantido estável.
Ele, proporcionalmente, tem caído mas o número absoluto tem se mantido estável. Eu vejo que o uso do dinheiro vai conviver com as transações digitais, eletrônicas. Um não atua em detrimento do outro. Neste sentido, as nossas pesquisas indicam que ao redor do mundo tem havido um aumento do uso de dinheiro a despeito de todas as tecnologias disponíveis para transações digitais.
IPNEWS: Sobre o saque no varejo, o Banco Central definiu que esta modalidade será ativada em 2021. Qual será o impacto para vocês?
ES: Por um lado vai continuar trabalhando na direção do aumento do dinheiro em circulação, porque será uma forma simples, fácil e segura de acesso. No caixa do mercado, é um negócio que vai trazer conveniência para consumidor e vai contribuir para o aumento da circulação de dinheiro no mercado. Nós, como fornecedores de tecnologia para o varejo, temos também ajudado os varejistas na implementação destas soluções do saque no varejo. Então isto representado também é uma oportunidade de negócios para nós neste segmento do varejo.
IPNEWS: Isto já é realidade hoje?
ES: Sim, já temos feito negócios com alguns clientes e há outros para serem implementados ou prospectados em 2021.
IPNEWS: Que tipo de solução tem sido demandada?
ES: Primeiro é preciso o desenvolvimento de uma aplicação que permita que esta transação, porque é uma oferta um produto que o varejo está ofertando. Antes tinha penas que fazer o troco e agora tem uma oferta financeira, o que requer a customização do software de boca de caixa. É um trabalho de professional service desenvolvimento de software para permitir isto.
IPNEWS: Então professional service é uma unidade de negócio que tem crescido?
ES: Sem dúvida, é uma linha de negócio que tem tido oportunidades em um volume diferente da media história em função destes movimentos. No mundo, a Diebold Nixdorf tem 33% de market share de automação bancária, mas aqui no Brasil temos 51% de Market shaare, uma posição ainda mais expressiva. E quando falamos de automação de depósito e reciclagem de dinheiro, o caixa eletrônico se torna mais eficiente e precisa de menos intervenções. Para esta tecnologia, na base instalada do Brasil hoje, nós temos 80% de market share. É algo que tem sido bastante estratégico e alavancador do crescimento dos nossos negócios para 2020 e certamente, com os pedidos que já temos em carteira e forcast para 2021.
IPNEWS: Mas a quantidade de ATMs disponível no mercado reduziu nos últimos anos, não?
ES: O mercado brasileiro de automação bancária não é um mercado em crescimento. Ele é praticamente estável tendendo para um pequeno declínio dependendo do número de agências que fecham. O que representa crescimento para gente seria uma atualização tecnológica, que seria trocar o caixa eletrônico tradicional pelo ATM com a possibilidade do deposito inteligente – sem envelope e com reconhecimento de dinheiro e de cheque – mais a reciclagem. Reduzimos uma tecnologia de menor valor agregados e crescemos com uma tecnologia de mais valor agregado. Esta combinação tem dado salto positivo de crescimento para o nosso business no Brasil.
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