Em palestra na Unicamp, Cristiano Amon falou sobre os planos da Qualcomm na nova tecnologia móvel e na competição que ocorre entre os Estados Unidos e a China.

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De acordo com ele, a parceria entre a Qualcomm, a Ericsson e as operadoras AT&T (norte-americana), SKT (sul-coreana) e a NTT (japonesa) na concepção de um primeiro padrão do 5G permitiu que o lançamento oficial fosse acelerado em um ano. Ainda segundo ele, o aumento da rede de cooperação, com a entrada de mais 45 empresas e a liderança do 3GPP, órgão que regulamenta a rede móvel), garantiu o sucesso da empreitada.
“Em novembro do ano passado, já foi apresentado um smartphone 5G, que alcançava velocidades de 1.24 GB. Hoje, chega a 4.5 GB e a expectativa é de alcançar 5 GB até o lançamento comercial das primeiras redes 5G”, afirma o executivo.
Já o lançamento de um smartphone 5G deve ser apenas no primeiro trimestre de 2019, diz Amon. A Qualcomm já conversa com 20 fabricantes globais e percebe que os primeiros aparelhos devem ser top de linha, com a popularização de dispositivos móveis 5G em 2020, quando as redes devem ser maturadas.
“O foco inicial será nos mercados que já anunciaram que vão apresentar o 5G já em 2019, ou seja, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Austrália e alguns países europeus”, diz. A China também chega forte e deve fazer testes em larga escala no ano que vem. “Os chineses têm uma estratégia mais parecida com um “plano de Estado” e prometem que o uso comercial inicie em 2020”, explica Amon.
Importância do 5G transforma competição em “corrida”
Mesmo com um projeto mais longo, o presidente da Qualcomm afirma que a China puxa os investimentos em 5G junto com os Estados Unidos, devido ao volume de investimento e a posição que empresas chinesas ocupam neste mercado, como a Huawei. “O 5G vai dar velocidade de dados aos usuários, garantir a confiabilidade de redes móveis e permitir uma nova revolução industrial”, afirma.
Se o 4G permitiu que empresas como WhatsApp e Instagram surgissem para revolucionar a sociedade, o potencial para o 5G é ainda maior, diz Amon. Isso explica a preocupação do governo norte-americano em evitar a compra da Qualcomm por uma empresa de origem asiática como a Broadcom. Ao evocar o mantra de “segurança nacional”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirma o medo de que o país perca o mercado para empresas chinesas, que já contam com gigantes inovadoras, como a Alibaba.
Nessa competição, que lembra a corrida espacial que ocorreu durante a Guerra Fria, as operadoras norte-americanas já apresentam grandes investimentos em redes 5G, bem como o apoio do FCC, órgão regulamentador dos Estados Unidos, que já distribuiu frequências de uso exclusivo da nova tecnologia.
O resto do mundo, porém, não avança tão rápido. A Coreia do Sul ainda está liberando frequências, de acordo com Amon, enquanto a Europa ainda discute quais serão os espectros a serem liberados. “A briga lá é entre as operadoras e os órgãos regulamentadores, que não se acertaram quanto ao preço”, diz. A tendência é que o continente fique para trás, em uma situação parecida com a do Brasil, mas não tão grave quanto aqui.
Negócio com a Broadcom
Amon preferiu não se manifestar quanto ao negócio com a Broadcom. Para ele, o processo é dado como encerrado após o decreto de Trump proibindo a aquisição da companhia. “Vamos realizar nossa reunião de acionistas normalmente.”