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Provedores regionais dominam banda larga fixa no Brasil; País ocupa 26ª colocação em ranking

Com quase 60% do mercado de banda larga fixa nas mãos de pequenos e médios provedores, o Brasil ostenta velocidades de internet que superam potências europeias, assumindo a 26ª colocação no ranking de pesquisa recente realizada pela Ookla. No entanto, a empresa de rede alerta para a iminente compra de gigantes locais e a pressão por novas regras da Anatel, que devem levar a uma mudança drástica na estrutura desse setor.

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Segundo a Ookla, o mercado de internet no Brasil foge à regra global de concentração em poucos conglomerados. Após a privatização nos anos 1990, as grandes operadoras focaram nos centros urbanos mais rentáveis. Foi nesse vácuo que empreendedores locais criaram um “império” descentralizado, impulsionado por regras da Anatel que facilitaram o acesso à infraestrutura. Hoje, o país conta com cerca de 8 mil provedores ativos.

O resultado dessa pulverização fica claro com os números divulgados pela pesquisa mais recente da empresa. Embora apenas 23,03% da população tenha banda larga fixa – abaixo da média da OCDE, a adoção de fibra óptica atinge 18,7% e supera a média internacional.

Levantamento da Ookla mostra que o mercado de internet fixa banda larga do Brasil é dominado por pequenos provedores regionais (Imagem: Reprodução/Ookla)
No ranking global do Speedtest, o Brasil ocupa o 26º lugar, com uma velocidade mediana de download de 221,53 Mbps, o que desbanca nações como Alemanha (103,72 Mbps) e Itália (117,11 Mbps). No topo do mercado nacional, Claro (19,60%), Vivo (14,90%) e Oi (6,60%) lideram, mas são seguidas de perto por empresas regionais como Brisanet, Giga+ e Vero Internet.

Quem entrega a internet mais rápida?

A agilidade dos provedores locais reflete na qualidade do serviço, mas o desempenho varia. Dados da Ookla de 2025 mostram que marcas como Blink Telecom (33,03% acima da média), Vero Internet e Desktop entregam velocidades superiores à referência nacional, mesmo nos cenários mais desafiadores de teste. Por outro lado, empresas tradicionais como Algar Telecom e Ligga Telecom registraram desempenhos até 40% inferiores à média do mercado.

A companhia destaca Santa Catarina como exemplo claro da força dos provedores locais, onde há a maior densidade de conexões do país (38,8% da população) — o estado é liderado pela Unifique, que possui 21,4% de participação, desbancando as gigantes nacionais.

Outro aspecto interessante presente no levantamento é que os provedores de pequeno porte da região, como a RVT, saltaram de 172,93 Mbps em 2022 para 357,49 Mbps em 2025, sinal de que a forte competição local está elevando o padrão de qualidade rapidamente.

A onda de aquisições e o futuro do setor

Apesar do sucesso, a pesquisa sugere que a guerra de preços reduziu as margens de lucro, forçando uma reorganização do mercado. A Brasil Tecpar já realizou quase 30 aquisições desde 2021, enquanto a Vero comprou mais de 17 ISPs. O movimento mais agressivo, no entanto, veio da Claro, que anunciou a compra de 73% da Desktop por cerca de R$ 4 bilhões, absorvendo 1,2 milhão de assinantes e 58 mil quilômetros de fibra em São Paulo.

A Ookla enxerga que a transição para um mercado mais enxuto e corporativo exigirá adaptação rápida. Com as novas exigências de cibersegurança que a Anatel prepara e a reforma tributária no horizonte, a sobrevivência dos pequenos provedores dependerá menos de preencher vazios de cobertura geográfica e mais de aliar eficiência operacional à hiperpersonalização do atendimento que os diferenciou nos últimos anos.

Levantamento da Ookla mostra que o mercado de internet fixa banda larga do Brasil é dominado por pequenos provedores regionais (Imagem: Reprodução/Ookla)

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