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Quadrante de Cloud do Gartner: apenas seis fornecedores, liderança isolada e empresa que só atende a China

O Gartner divulgou neste mês um de seus relatórios anuais trazendo comparativos de fornecedores de tecnologia de determinados pilares ou mercados. O seu Quadrante Mágico para Infraestrutura como Serviço na Nuvem (Cloud IaaS) apresentou como principal mudança a remoção de diversos fornecedores, restando apenas seis: Amazon Web Services (AWS), Microsoft, Google, IBM, Alibaba e Oracle.

Pesquisa compara provedores nacionais e globais de serviços de nuvem

Para Rafael Marangoni, especialista em Nuvem e CEO da BRLink, o número pequeno para um mercado global é por causa da necessidade de grande escala para atendimento. “Para entrar é fundamental investir muito dinheiro e se consolidar nele depende de tempo, já que existe um aspecto forte de inovação associado”, diz.

Ele explica que o Gartner deixa claro que a definição de mercado de Cloud IaaS são serviços consumidos sob demanda, em modelo “self-service” (através de API’s sempre expostas ao cliente), com cobrança granular de acordo com o consumo. “Envolve muita automação, elasticidade e escalabilidade, tudo isto em tempo real”, ou seja, não é barato.

Outro ponto de comparação importante é que os líderes continuam os mesmos do ano passado: AWS, Microsoft e Google. O posicionamento aqui mudou bem pouco, com o Google no meio do gráfico e as outras duas liderando com folga. De acordo com Marangoni, a BRLink, empresa de gerenciamento de serviços em nuvem, também vê que as companhias estão focando nestes três fornecedores.

O Google, por exemplo, é destaque em ofertas para workloads de big data, analytics, machine learning. Por outro lado, o especialista lembra que a empresa está um bocado atrás dos seus principais concorrentes no mercado enterprise. O Gartner cita que os três principais riscos ao contratar o Google são: imaturidade de processos e procedimentos para lidar com contas enterprise; um ecossistema muito discreto de parceiros MSP, o que representa um risco apontado pelos próprios clientes; um time reduzido de vendas e arquitetura para atender o mercado.

Já entre as duas líderes, a AWS conseguiu aumentar a distância sobre a Microsoft, após uma redução nos últimos anos, como lembra Marangoni. Os fatos destacados pelo relatório como riscos para a contratação da Microsoft são dolorosos: problemas de disponibilidade na Azure (especialmente Azure AD); baixa qualidade do suporte técnico; uma disparidade importante entre o que a força de vendas da Microsoft está vendendo e a plataforma entregando, do ponto de vista de prazo e de custos. “Dá a entender que os projetos duram mais e são mais caros do que apresentados pela força de vendas da Microsoft.”

Do lado da AWS, os riscos de contratação apontados pelo Gartner são relevantes: embora a empresa publique constantemente que faz reduções de custos frequentes, para serviços importantes, como computacionais, não há uma redução desde 2014; a AWS foca em ser inovadora e lançar os serviços antes dos concorrentes, acontece que muitos deles são com pouquíssimas funcionalidades; com a expansão da Amazon para diversas indústrias, muitos clientes destas verticais que passam a concorrente com a Amazon decidem não utilizar a AWS.

Os três fornecedores de nicho continuam os mesmos

Se pouco mudou no quadrante mágico, no de niche-players também houve poucos ajustes. “IBM, Alibaba e Oracle continuam figurando entre os fornecedores globais de Cloud IaaS, mas não tiveram mudanças importantes de posicionamento em relação ao ano passado.”

O especialista explica que cada um deles possuem forças relevantes para os seus nichos, o que os colocam no relatório, mas numa briga muito diferente. As forças principais de IBM e Oracle são exatamente a sua base de clientes. Uma grande base transacional de clientes aumenta muito a chance de migração de receitas para o modelo de Cloud IaaS. Já o Alibaba Cloud é muito forte no mercado chinês e alguns países da Ásia, e estes são importantes mercados globais.

“Embora exista a relevância dos fornecedores de nicho, é natural percebermos que se o mercado se consolidar ainda mais, quem deve deixá-lo é exatamente um fornecedor deste tipo”, lembra Marangoni.

Alibaba Cloud ainda não saiu da China

O Alibaba Cloud está em terceiro lugar em market share global, atrás somente de AWS e Microsoft (e à frente inclusive do Google). Isso acontece, segundo Marangoni, porque a empresa atende o mercado chinês – e ainda não saiu de lá.

Com 90% de suas receitas vindas deste país, a empresa ainda não conseguiu construir uma oferta de serviços global à altura do que oferece na China. “Para complicar um pouco a questão, o relatório do Gartner aponta perdas financeiras crescentes no Alibaba Cloud, o que pode impactar na sua expansão global”, diz.

Por outro lado, é importante citar que a empresa lidera o marketshare na China, o que é relevante, dado o crescimento anual do país. “Além disso, é o principal fornecedor para o governo chinês, que sabemos, deverá manter a ‘preferência’ em empresas nacionais por questões ideológicas”, completa o especialista.

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