*Por Ana Rios
Quando uma empresa busca melhorar seus resultados, a primeira iniciativa normalmente é vender mais. Novos clientes, novos mercados e expansão comercial costumam estar no topo das prioridades.
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Mas existe uma pergunta que poucos empresários fazem: quanto dinheiro está sendo perdido dentro da própria operação?
Grande parte dos desperdícios corporativos não aparece de forma evidente nos relatórios financeiros. Eles estão escondidos em retrabalhos, processos ineficientes, falta de indicadores, decisões tomadas sem dados, contratos mal estruturados e recursos subutilizados. Por isso, é comum encontrarmos empresas que aumentam o faturamento ano após ano, mas enfrentam dificuldades para melhorar suas margens e gerar mais lucro.
O problema nem sempre está na capacidade de vender. Muitas vezes está na capacidade de transformar receita em resultado.
Outro erro recorrente é associar desperdício apenas a gastos financeiros. Tempo também é dinheiro. Equipes executando atividades repetidas, processos mal definidos e dependência excessiva de determinadas pessoas geram custos que raramente são mensurados, mas afetam diretamente a produtividade e a rentabilidade do negócio.
Existe inclusive uma disciplina específica para isso: o Saving. A metodologia consiste em realizar um diagnóstico aprofundado da operação para identificar desperdícios, gargalos e oportunidades de otimização. Dependendo do nível de eficiência da empresa, é comum encontrar potenciais economias que podem chegar a 30% dos gastos operacionais, sem comprometer a qualidade dos serviços ou a capacidade de crescimento do negócio.
O mais interessante é que, na maioria dos casos, os ganhos não vêm de cortes drásticos, mas da correção de ineficiências que se acumularam ao longo dos anos e passaram a ser consideradas normais dentro da operação.
Ao longo de avaliações operacionais realizadas em diferentes segmentos, um padrão costuma se repetir: muitas empresas acreditam que precisam crescer para melhorar seus resultados, quando na verdade ainda possuem oportunidades significativas de ganho dentro da estrutura que já possuem.
As empresas mais eficientes não são necessariamente as que mais faturam. São as que conseguem aproveitar melhor seus recursos, tomar decisões com base em informações confiáveis e operar de forma previsível.
Antes de buscar crescimento a qualquer custo, vale uma reflexão: sua empresa realmente precisa vender mais ou está perdendo parte dos resultados que já conquistou?
Em muitos casos, o caminho mais rápido para aumentar a lucratividade não está em gerar mais receita, mas em eliminar desperdícios que passaram despercebidos dentro da operação.
Porque empresas sustentáveis não crescem apenas pelo que vendem. Crescem pela eficiência com que transformam receita em resultado. *Ana Rios é sócia e diretora jurídica na IPV7.
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