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Reconstrução de redes de fibra óptica no RS pode levar até um ano, preveem especialistas

A reconstrução de redes de fibra óptica no RS pode levar de seis meses a um ano. Segundo especialistas, nas redes externas, os estragos causados pelas enchentes ainda estão sendo calculados, mas de acordo com um estudo realizado pela InternetSul, em parceria com outras associações do setor, cerca de 30% da conectividade de banda larga do RS foi afetada. A pesquisa segue em andamento, o que indica que o número tende a aumentar.

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Já se trabalha com a possibillidade de rompimento ou danificação de cabos de fibra óptica – responsáveis por transmitir dados em alta velocidade. Além disso, nesses casos, alguns postes de energia, que suportam os cabos, foram derrubados.

No Rio Grande do Sul, os pequenos provedores (ISPs) atendem quase 2 milhões de clientes com conexões fixas em banda larga.

É certo que o Governo Federal anunciou o restabelecimento da telefonia e internet móvel na região, porém, conforme Fábio Badra, presidente da InternetSul, associação que representa os mais de 630 provedores de Internet do RS, quando se trata de conectividade de residências, empresas e instituições de assistência, se fala em banda larga fixa, e este é um insumo que está muito longe de estar completamente restabelecido, apesar dos incansáveis esforços dos provedores do Estado.

“É importantíssimo ressaltar que quando se menciona a restauração das telecomunicações e internet, isso se refere principalmente à conectividade móvel, onde as operadoras têm acordo de roaming entre si. No entanto, as infraestruturas das operadoras ainda não estão completamente restauradas, e elas estão compartilhando estruturas para manter a conectividade móvel funcionando”, destaca Badra. “Mas quando se fala de residências, empresas, órgãos, é banda larga fixa, fibra óptica, e isso tem sido reposto pelos provedores regionais, que têm desempenhado um papel crucial na reconexão das comunidades afetadas”, complementa.

A reconstrução das redes é um trabalho que envolve equipes de técnicos para avaliar os danos, a substituição dos equipamentos danificados, o reparo dos cabos e, por fim, o restabelecimento da conectividade. Em muitos casos, pode ser necessária a reestruturação da infraestrutura de rede desde o início, o que pode levar de seis meses a um ano, preveem especialistas.

“Em situações como essas, equipamentos de rede que não tenham a chamada proteção IP 67 e IP 68 – que certifica uma vedação altamente eficaz em caso de submersão – ou que porventura foram instalados sem a precisão indicada, podem ser inundados e, com isso, comprometendo seu funcionamento e, inclusive, exigindo substituição”, enfatiza o gerente de Engenharia da Fibracem, companhia especializada no mercado brasileiro de comunicação óptica, Sebastião Rezende.

Ele destaca que, em um sistema disponibilizado pela Agencia Nacional de Telecomunicações (Anatel), que monitora a situação das redes móveis no Sul do país, é possível ver que uma média de 25% das redes das principais operadoras foram fortemente danificadas e ainda estão sem sinal.

Data Centers também devem passar por reestruturação

As enchentes no Rio Grande do Sul também afetaram a infraestrutura interna dos data centers. Considerados os centros neurais da tecnologia e que são essenciais para manter a conectividade e garantir a continuidade dos serviços digitais, muitos deles foram altamente danificados durante a tragédia.

O atual contexto coloca em evidência a importância de priorizar, também, o planejamento mais aprofundado sobre a localização ideal dos ambientes de data centers. Para Marcos Ceacero, especialista técnico da Fibracem, o alagamento do aeroporto internacional de Porto Alegre, que permanece fechado por tempo indeterminado, é um forte indício de que a enchente danificou, inclusive, a infraestrutura de rede interna responsável pela comunicação aeroportuária.

“Pode se levar tempo para a reestruturação de toda essa parte, pois é bem provável que, no mínimo, 60% dos componentes presentes para o funcionamento de um data center foi comprometido e deverá ser substituído”, afirma.

O presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Mauricélio Oliveira Júnior, corrobora: “embora o serviço de telefonia móvel tenha sido restabelecido, a qualidade da conexão via roaming ainda não atende às necessidades básicas da população, que continua insatisfeita. Pode ser visto em vários posts da internet. É importante destacar o incrível trabalho dos provedores regionais na recuperação das redes com esforços heróicos, utilizando geradores, barcos e jet skis. Eles têm mantido as redes operando mesmo em áreas alagadas”, destaca.

Reconexão de extrema urgência

Conforme Mauricélio, é graças a esses provedores que serviços essenciais, como abrigos, hospitais, escolas e órgãos públicos, continuam funcionando no RS. “Queremos ressaltar a importância desses pequenos provedores neste momento difícil que o Rio Grande do Sul enfrenta. Eles são verdadeiros heróis na manutenção da conectividade em tempos de crise tão difíceis”, afirma.

O Conselheiro da InternetSul, Alexandro Schuck, informa que um levantamento feito pela InternetSul mostrou as cidades onde a reconexão é de extrema urgência. Dessa forma, municípios como Canoas, Santa Cruz do Sul, Bento Gonçalves, Santa Maria, São Leopoldo, Campo Bom, Dois Irmãos, Estância Velha, Ivoti, Montenegro, Novo Hamburgo, Parobé, Portão, Sapiranga, Canguçu, Jaguarão, Pelotas, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, São José do Norte, Caçapava do Sul, Júlio de Castilhos, Restinga Sêca, São Pedro do Sul, São Sepé, Canela, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Gramado, Lagoa Vermelha, São Marcos, Taquara, Vacaria, Veranópolis, Camaquã, Encantado, Encruzilhada do Sul, Estrela, Guaíba, Lajeado, Rio Pardo, São Jerônimo, São Lourenço do Sul, Taquari, Venâncio Aires, Vera Cruz, Alvorada, Cachoeirinha, Esteio, Gravataí, Nova Santa Rita, Sapucaia do Sul e Viamão já foram ou serão em breve beneficiadas por essa ação dos Internet Service Providers – ISPs.

Data Centers também devem passar por reestruturação

Além da infraestrutura de fibra óptica, as enchentes também afetaram a infraestrutura interna dos data centers. Considerados os centros neurais da tecnologia e que são essenciais para manter a conectividade e garantir a continuidade dos serviços digitais, muitos deles foram altamente danificados durante a tragédia.

O atual contexto coloca em evidência a importância de priorizar, também, o planejamento mais aprofundado sobre a localização ideal dos ambientes de data centers. Para Marcos Ceacero, especialista técnico da Fibracem, o alagamento do aeroporto internacional de Porto Alegre, que permanece fechado por tempo indeterminado, é um forte indício de que a enchente danificou, inclusive, a infraestrutura de rede interna responsável pela comunicação aeroportuária.

“Pode se levar tempo para a reestruturação de toda essa parte, pois é bem provável que, no mínimo, 60% dos componentes presentes para o funcionamento de um data center foi comprometido e deverá ser substituído”, afirma.

Alternativas para o futuro

De acordo com o Gerente de Engenharia da Fibracem, em se tratando de infraestrutura de rede externa, atualmente existem alternativas eficazes que podem suportar por um longo tempo situações de alagamento. “Hoje, produtos pré-conectorizados são altamente testados para sustentar o funcionamento mesmo em ambientes submersos por água, desde que instalados de maneira correta, e isso pode ser uma alternativa que contribua de maneira significativa para manter o sinal de internet ativo nas maiores localidades possíveis”, finaliza Sebastião Rezende.

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