Estudo realizado pela Ernst & Young mostra que 65% dos entrevistados brasileiros consideram que o governo deve ter controle de grandes companhias.
Estudo global sobre empresas estatais e privadas, conduzido pela Ernst & Young em parceria com o instituto de pesquisa Ipsos Mori e a Escola de Administração italiana SDA Bocconi, aponta que as empresas estatais são consideradas menos eficientes do que as privadas, embora sua presença em setores estratégicos da economia seja bem-recebida em países em desenvolvimento.
O levantamento contou com 12 mil entrevistas de cidadãos de 24 países, dentre eles o Brasil. Para 70% dos entrevistados, as companhias estatais têm menor grau de eficiência, embora a recente crise econômica mundial tenha renovado a percepção quanto à importância da participação dos governos em indústrias que atuam em setores como energia, transportes e comunicação. No caso do Brasil, o estudo mostrou que 65% das pessoas querem que o governo tenha controle de grandes companhias.
O impacto da crise é verificado nas respostas dos cidadãos quando questionados quanto à importância de que empresas de setores estratégicos tenham presença estadual. No Brasil, 43% dos entrevistados disseram ser importante a presença de estatais nesses setores. Nos Estados Unidos, esse percentual foi de 35% e na África do Sul, de 16%. A Árabia Saudita, grande produtora de petróleo, é o país onde os entrevistados apontaram para maior necessidade de presença estatal em setores essenciais: 86%. Entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) , a Rússia tem o maior índice, com 83%.
Expressiva em todo o mundo, a percepção de que as estatais são comandadas com forte componente político é uma das mais altas no Brasil (91%). O país é o sexto colocado nesse levantamento, que é liderado pela Índia (96%). O país onde o controle político é menos percebido é a Alemanha, com 80%.
Quando questionados se consideram as empresas privadas mais eficientes do que as estatais, 60% dos brasileiros responderam que sim. Ao avaliarem se as estatais oferecem serviços de melhor qualidade que empresas de controle privado, apenas 43% dos brasileiros responderam que sim. Esse número é bem diferente daquele verificado em países como Árabia Saudita (75%), Índia (60%) e mesmo Espanha (51%). África do Sul (17%), Japão e Indonésia (ambos com 29%) são os países em que os entrevistados se mostraram mais céticos na percepção da qualidade de produtos ou serviços oferecidos por empresas estatais.
O estudo traz uma breve análise do tema nos Brics e comenta que o Brasil seguiu o caminho das concessões para limitar os riscos políticos relacionados à transferência permanente do ativo. “Desde que bem geridas, as estatais podem ser poderosas engrenagens para fomentar o crescimento econômico e também o desenvolvimento social de um país”, diz Liliana Junqueira, sócia líder da área de governo e setor público da Ernst & Young Terco em Brasília.