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Sem cibersegurança não existe continuidade operacional

*Por Eduardo Lopes

Criminosos passaram a explorar vulnerabilidades nos sistemas de rastreamento e gestão logística para acessar dados de rotas, manipular informações e viabilizar desvios sem nenhum confronto físico. É a convergência entre crime cibernético e crime físico, e ela está documentada nos dados que coletamos na INGENI, nossa divisão de inteligência da Redbelt Security.

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Nos últimos três meses, o setor logístico brasileiro concentrou mais de 1.800 alertas de alta e crítica severidade relacionados a ransomware, vulnerabilidades exploráveis e movimentações de grupos criminosos. Quando se ampliam todos os níveis de criticidade, são mais de 58 mil alertas em 12 meses. Num setor que movimentou R$ 366 bilhões em 2024, algo em torno de 3,1% do PIB, e cujos portos sustentam 95% do comércio exterior do país, cada alerta tem endereço certo.

O setor logístico figura hoje entre os mais atacados globalmente. O ransomware somou 283 incidentes confirmados em 2025, segundo dados da Cyble. No Brasil, os ataques ao transporte de cargas dobraram. E o que os dados mostram é que os impactos já vão além da indisponibilidade de sistemas: o alvo é a informação que movimenta a operação.

A superfície de ataque cresceu junto com a digitalização. Hoje, as operações logísticas dependem de um ecossistema que combina TI, tecnologia operacional e dispositivos conectados, como sensores, câmeras e plataformas telemáticas. Essa integração é o que garante rastreabilidade e eficiência em tempo real. É também o que amplia a exposição. Senhas padrão, sistemas desatualizados, ausência de segmentação entre redes… Vulnerabilidades conhecidas que continuam abertas porque corrigir exige parar, e parar tem custo.

Os portos concentram esse risco de forma especialmente visível. Funcionam como pontos de interconexão entre sistemas públicos, privados e internacionais, com alto volume de operações simultâneas. Quando um incidente acontece ali, os efeitos não ficam contidos no perímetro da autoridade portuária.

Uma parte relevante das vulnerabilidades, aliás, não nasce da tecnologia. Nasce das relações de confiança: fornecedores, operadores terceirizados, integrações com parceiros, usuários com credenciais mal gerenciadas. O perímetro de segurança no setor logístico é tão técnico quanto relacional.

A dificuldade estrutural é conhecida por quem opera no setor. A segurança não pode desacelerar a operação. Frotas não têm janela de manutenção. Centros de distribuição não fecham para atualização. Sistemas legados convivem com plataformas modernas porque substituí-los de uma vez é inviável. Nesse ambiente, maturidade em cibersegurança se mede pela capacidade de sustentar a operação mesmo sob pressão de um incidente.

Governança sólida, planos de resposta eficientes (e testados) e gestão de identidade para terceiros ainda são gargalos em muitas operações logísticas brasileiras. A consciência sobre o tema cresceu, mas a estrutura para lidar com ele ainda está sendo construída. Eduardo Lopes é CEO da Redbelt Security.

Este artigo é de total responsabilidade do autor, não representando, necessariamente, a opinião do Portal IPNews.

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