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Sonda apoia estados na criação de infovias digitais e investe R$ 500 milhões até 2026

A mais nova unidade de negócios da Sonda, multinacional chilena de tecnologia com cinco décadas de atuação na América Latina, nasceu com uma missão estratégica: apoiar governos estaduais na criação de infovias digitais e acelerar a inclusão tecnológica em regiões ainda pouco atendidas por infraestrutura de telecomunicações. A divisão, dedicada exclusivamente a serviços de conectividade e redes públicas, é uma das nove unidades de negócios da companhia no Brasil e receberá investimentos de cerca de R$ 500 milhões entre 2023 e 2026, conforme anunciado pela empresa durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo.

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O investimento de R$ 190 milhões em 2026, completa o orçamento dedicado ao plano de expansão que consolida a entrada da Sonda no setor de telecomunicações. A princípio, a empresa opera em dois modelos comerciais distintos: parcerias público-privadas (PPP) e licitações convencionais. Ricardo Scheffer, CEO da Sonda no Brasil, reforça que, para a empresa, tecnologia deve ter propósito e, neste caso, “a conectividade é a base da inclusão digital, uma forma de inclusão social”.

Por isto, a abordagem comercial da unidade de telecomunicações da Sonda tem sido junto a estados majoritariamente fora das regiões Sul e Sudeste, onde a oferta de infraestrutura é mais consolidada. “O Brasil já tem boa cobertura de conectividade nas regiões Sul e Sudeste. O grande desafio e, ao mesmo tempo, a oportunidade, está nas demais regiões – principalmente Norte, Nordeste e Centro-Oeste -, onde ainda existe um déficit de infraestrutura e uma demanda crescente por inclusão digital. É ali que a Sonda quer fazer a diferença”, completa o CEO.

Neste modelo, a empresa apresenta dois projetos em andamento, no Mato Grosso do Sul e em Goiás, e informa estar negociando com outros dois estados. “Estamos conversando com outros dois estados que demonstraram interesse em desenvolver suas próprias infovias. O modelo que aplicamos em Mato Grosso do Sul e Goiás é replicável e sustentável, e já está servindo de referência para outras administrações”, conta Germando Vieira, diretor de Digital Communications da Sonda do Brasil.

Projetos em Mato Grosso do Sul e Goiás

Em Mato Grosso do Sul, a Sonda atua na Parceria Público-Privada da Infovia Digital Sul-Mato-Grossense, projeto considerado referência nacional em conectividade pública. A iniciativa prevê a implantação de mais de 6 mil quilômetros de fibra óptica interligando 79 municípios e mais de 2,5 mil pontos de acesso governamentais, incluindo secretarias, unidades de saúde e instituições de ensino.

O contrato, com vigência de 30 anos, prevê a construção, operação e manutenção integral da rede, além de serviços de suporte e cibersegurança. O projeto deve alcançar mais de 1,7 milhão de pessoas de forma indireta e já iniciou as fases de implantação de backbone e ativação dos primeiros trechos regionais.

Em Goiás, a empresa venceu uma licitação pública para fornecimento e gestão de infraestrutura de comunicação destinada ao governo estadual, abrangendo conectividade de dados, suporte técnico, manutenção e serviços digitais. Diferentemente da PPP de Mato Grosso do Sul, o contrato goiano segue o modelo tradicional de fornecimento contínuo, com ênfase na integração e modernização de redes já existentes.

Oportunidades para provedores e expansão do ecossistema

Durante a apresentação do projeto de MS, Scheffer destacou as oportunidades de negócio em torno da infovia de Mato Grosso do Sul, sobre a qual a Sonda tem a responsabilidade integral de gerenciamento e pode, inclusive, negociar a conexão com terceiros. Germano Vieira citou como exemplo que a “redes abre espaço para que os provedores de serviços banda larga atuem na última milha, expandindo a cobertura e os serviços. É uma oportunidade concreta de crescimento para o ecossistema regional, que se beneficia de uma infraestrutura compartilhada e de custos mais previsíveis”, explicou.

Como exemplo, Scheffer citou o investimento de US$ 4,6 bilhões da chilena Arauco em Inocência, Mato Grosso do Sul. A planta deve entrar em operação no final de 2027, com capacidade de 3,5 milhões de toneladas de celulose de mercado por ano.

O Projeto Sucuriú ocupa uma área de 3.500 hectares, a 50 quilômetros do centro da cidade, às margens do Rio Sucuriú, e se apoia em tecnologias de Indústria 4.0 – com sistemas de controle digital, simuladores de treinamento e integração total entre as etapas de produção e qualidade.

Goiás de Fibra em 18 meses

Germano Vieira também detalhou a infraestrutura tecnológica da infovia, informando que a empresa primou pela escolha de sistemas e equipamentos, para entregar fibra óptica em todo o Estado do Mato Grosso do Sul, com automação de sistemas de gestão e operação, sem ignorar a necessidade de uma estrutura de cibersegurança robusta. “Estamos criando uma base tecnológica capaz de sustentar as demandas atuais e futuras de conectividade pública. O foco é entregar eficiência e disponibilidade, combinando fibra, automação e análise de dados em tempo real”, afirmou.

Outro destaque é o Goiás de Fibra, iniciado em 2025 e com previsão de conclusão da implantação da rede em 18 meses.  O contrato, de cinco anos, é da ordem de R$ 484 milhões e conectará 2,2 mil pontos de atendimento público, como escolas, hospitais e unidades de segurança, beneficiando 5,1 milhões de habitantes.

Somados, os dois contratos beneficiarão aproximadamente 8 milhões de pessoas em ambos estados.

A nova rede será estruturada em anéis ópticos, garantindo segurança, redundância e alta disponibilidade no transporte de dados, voz e Wi-Fi. O projeto também contempla serviços de segurança da informação, capacitação de equipes, fornecimento de equipamentos, licenciamento de softwares e toda a mão de obra especializada necessária para sua execução.

A Infovia Digital do Mato Grosso do Sul e o projeto Goiás de Fibra são iniciativas estaduais que estão em linha com as prioridades do Governo Federal de inclusão digital. Em setembro, esse objetivo foi reforçado pelo Ministério das Comunicações, ocasião em que foi anunciada a formação das Câmaras Temáticas do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), que será responsável por mapear e promover a inclusão digital para brasileiros que vivem em locais ainda sem acesso à internet, o que significa novas oportunidades de projetos.

Segundo Ricardo Scheffer, essas iniciativas são habilitadoras de políticas públicas e instrumentos de transformação social que vão permitir que o avanço tecnológico chegue de forma efetiva às pessoas.

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