O Governo de São Paulo, por meio do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado (Semil), inaugurou na última quinta-feira (31/10) a Plataforma de Gestão de Riscos de Desastres Naturais, um espaço dedicado à análise e monitoramento para prevenção, gerenciamento e mitigação de riscos e desastres que dependem de informações geológicas.
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O ambiente conta com múltiplos telões que exibem dados detalhados, apoiando os órgãos do governo na tomada de decisões estratégicas nas áreas de proteção e defesa civil, planejamento ambiental e territorial, habitação e transportes, entre outros. A iniciativa faz parte do programa São Paulo Sempre Alerta, que foca na prevenção de desastres e na resposta a eventos climáticos extremos.
Cada um dos sistemas programados tem uma função diferente, cujas informações são projetadas nos monitores que compõem a plataforma. Para isso, o IPA utiliza dados globais do meio físico, meteorológicos e oceanográficos, entre outros. Além disso, é feita uma coleta própria de dados e cálculos matemáticos desenvolvidos por pesquisadores, que são processados nos sistemas desenvolvidos pelo instituto e que geram resultados diretos para aplicação em políticas públicas. A Plataforma é um dos principais trabalhos realizados pela equipe de Gestão de Riscos e Desastres do instituto. O investimento foi de R$ 2,5 milhões.
Qual o papel da plataforma?
A principal função da Plataforma é fornecer informações geológico-geotécnicas e geoambientais para a elaboração de planos de contingência, monitoramento de fenômenos perigosos e suporte a operações de emergência. A infraestrutura é adaptável e permite a inclusão de novas bases e aplicações em colaboração com parceiros técnicos e usuários. O IPA acaba de assinar, inclusive, um acordo de cooperação com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para aprofundar a gestão de riscos e desastres no litoral norte paulista, com o desenvolvimento de um sistema mais detalhado para essa região.
A Plataforma está localizada no Núcleo de Geociências, Gestão de Riscos e Monitoramento Ambiental do IPA, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. O órgão realiza pesquisas em cartografia geológica e dinâmica das paisagens, avaliação da potencialidade dos aquíferos e hidrologia fluvial, recursos minerais, análise, mapeamento e monitoramento de processos geodinâmicos e de riscos, monitoramento ambiental, climatologia e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
“O ambiente permite análises particularizadas e a emissão de avisos para os órgãos responsáveis e estes podem fazer os alertas necessários e tomar medidas preventivas. Exemplos disso são as Defesas Civis estadual e municipais, concessionárias de rodovias e outros órgãos competentes”, acrescenta Ricardo.
Módulos e funcionalidades
A plataforma conta com diversos módulos especializados, cada um com suas funcionalidades únicas:
1. Mapeamentos de Risco Local e Regional:
a. Escala Local: estudos realizados nos demais 38 municípios da Região Metropolitana de São Paulo (não inclui a capital, que tem estudo próprio do município). O risco é classificado em quatro níveis e abrange 7.278 setores suscetíveis a escorregamentos, inundações, solapamento de margens de rio e erosão. Os dados ajudam no plano de obras de redução de risco e implantação de planos de contingência de defesa civil.
b. Escala Regional: estudos nos 645 municípios de São Paulo, identificando perigos e vulnerabilidades, com foco na população exposta e no planejamento territorial, inclusive tendo sido utilizado no Zoneamento Ecológico Econômico do Estado de São Paulo, nos planos de manejo de Unidades de Conservação, em ações relacionada à adaptação às mudanças do clima.
2. Relatórios de Vistorias: o módulo já contabiliza 1.245 áreas vistoriadas, oferecendo dados críticos para a resposta a emergências e atendendo a solicitações de órgãos estaduais, federais e prefeituras. Ele permite a consulta e a avaliação da evolução de áreas já vistoriadas de maneira preventiva ou para avaliação da eficácia de medidas de proteção e recuperação implantadas para evitar ou restabelecer a segurança após eventos ou desastres. Também está estruturado para incorporação automática de novas vistorias.
3. Geodesastres: este módulo resgatou cerca de 66 mil registros de eventos ocorridos no Estado, no período entre 1991 e 2022, e será continuamente alimentado. Envolve inclusive a busca de registros de jornais por meio de robôs e permite a identificação de áreas prioritárias para medidas de redução de risco.
4. Sistema de Monitoramento e Alerta: em parceria com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), integra mapeamentos de risco com dados climáticos atualizados em tempo real, permitindo alertas rápidos sobre eventos geodinâmicos perigosos nas rodovias SP-55 e SP-98. Atualmente está sendo atualizado para uso de novos dados meteorológicos já disponíveis, e deverá integrar estudos em viabilização para abranger as demais rodovias.
5. Portal de Gestão de Riscos e Desastres: um ambiente online que oferece acesso a dados geoespaciais, ferramentas analíticas e dashboards interativos. Permite o acesso customizado a ambientes que subsidiam políticas públicas e atividades especificas, tais como os programas de mapeamentos de risco, o acompanhamento de segurança de barragens, a operação de planos preventivos e de contingência, entre outras.
6. Saric: O Sistema de Alerta de Ressacas e Inundações Costeiras faz o monitoramento de todas os setores do litoral paulista e pode antecipar em até 4 dias eventos críticos para os ambientes costeiros naturais e construídos, em decorrência de ressacas e marés altas, que provoquem erosões intensas em praias e dunas, inundações, enchentes e alagamentos que afetem moradias e a infraestrutura urbana.
Sala para acompanhamento de nível de rios é atualizada
O Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH) aprovou a ampliação da Sala de Situação São Paulo, que será melhorada e adaptada para garantir dados e análises mais aprofundadas da situação hidrológica do estado, garantindo melhores subsídios para o trabalho de prevenção e combate aos eventos extremos, cada vez mais frequentes.
A intenção é tornar a Sala de Situação mais tecnológica, com uso de inteligência artificial, por exemplo, e implementar novas ações, como: emitir alertas de maneira mais ágil, com o envio de mensagens e boletins diários, firmar parceria com as principais empresas de tecnologia, receber dados em tempo real, comprar novos equipamentos e softwares, além de promover a integração com diversos órgãos do Estado, como a Defesa Civil.
A situação de chuvas, vazão de rios e os níveis dos principais reservatórios são exemplos de dados que serão acompanhados. Eles permitirão que a SPÁguas, agência reguladora dos recursos hídricos de São Paulo, consiga agir com mais eficácia com o objetivo de minimizar os efeitos dos eventos climáticos extremos.
*Com informações da Semil-SP.
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