As operadoras de telecomunicações deverão iniciar a transição para o 6G em um cenário muito diferente daquele enfrentado durante a chegada do 5G. Segundo relatório da Dell’Oro Group, a próxima geração de redes móveis exigirá investimentos significativos – estimados em mais de US$ 500 bilhões até 2034 -, mas as empresas chegam a esse novo ciclo em uma posição mais confortável do ponto de vista de capacidade e infraestrutura.
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De acordo com a consultoria, um dos principais diferenciais é que as redes atuais já contam com uma base robusta de cobertura, capacidade e eficiência, resultado dos investimentos realizados nos últimos anos em 5G, fibra óptica, virtualização e tecnologias como Massive MIMO. Isso reduz a pressão por expansões emergenciais de rede e permite uma adoção mais gradual do 6G.
“Hoje as operadoras estão em uma posição muito mais forte em termos de capacidade de rede do que estavam durante a transição do 4G para o 5G”, afirma Stefan Pongratz, vice-presidente de pesquisas de RAN e Telecom Capex da Dell’Oro Group.
Na avaliação da empresa, o 6G deverá seguir um caminho evolutivo, aproveitando boa parte da infraestrutura existente. Em vez de exigir uma reconstrução ampla das redes, a nova tecnologia deverá utilizar a atual malha de sites, os avanços em Massive MIMO e canais com maior largura de banda para aumentar a eficiência operacional e econômica das operadoras.
Menos pressão por investimentos imediatos
Durante a migração para o 5G, as teles enfrentaram forte demanda por ampliação de capacidade, impulsionada pelo crescimento acelerado do tráfego de dados móveis e pela necessidade de densificar as redes. No ciclo do 6G, esse cenário tende a ser diferente.
A Dell’Oro projeta que a receita acumulada de RAN (Radio Access Network) nos seis primeiros anos do 6G será entre 10% e 20% menor do que a registrada no mesmo período inicial do 5G. O dado reflete justamente a menor urgência por investimentos massivos nos primeiros anos da nova geração.
Isso não significa, porém, uma redução da relevância do 6G. Pelo contrário. A consultoria estima que os investimentos acumulados em infraestrutura de acesso por rádio e redes sem fio superem US$ 500 bilhões até 2034, com aproximadamente metade de todo o Capex global de RAN entre 2029 e 2034 destinado às novas redes.
Infraestrutura existente será um ativo estratégico
O relatório destaca ainda que a capacidade das operadoras de reutilizar parte significativa da infraestrutura implantada para o 5G será um dos fatores que contribuirão para esse cenário de maior conforto financeiro e operacional.
As bandas abaixo de 7 GHz e as frequências centimétricas (cmWave) devem desempenhar papel central nas primeiras implementações, enquanto o interesse por espectros acima de 7 GHz cresce para aplicações que demandarão maior velocidade e capacidade.
Para as operadoras, a principal diferença em relação ao ciclo anterior é que o desafio não será apenas expandir cobertura, mas monetizar novos serviços avançados, inteligência artificial embarcada na rede, automação industrial, aplicações imersivas e comunicação entre máquinas em larga escala.
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