Paulo Humberto Gouvea, líder de soluções corporativas da TIM Brasil
Reconhecendo a estagnação da demanda por serviços de voz, a operadora TIM está fortemente empenhada em habilitar negócios de conectividade de dados, que serão potencializados com a implantação das redes 5G. A companhia espera quadruplicar a receita dos serviços de internet das coisas (IOT) e machine-to-machine (M2M), com crescimento de carca de 30% ao ano. Para isto, as redes 2G, 3G e 4G estão sendo colocadas à disposição de setores e clientes. A ideia é desenvolver projetos e construir ecossistemas nos quais a TIM participe como player central na oferta da infraestrutura.
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Exemplo deste modelo é a atuação da companhia junto ao agronegócio. “Somos sócios fundadores da ConectarAGRO, uma associação de fomento da conectividade no campo por meio de redes 4G LTE 700MHz, que tem melhor propagação e aplicação quando precisamos de cobertura de longo alcance”, pontua Paulo Humberto Gouvea, líder de soluções corporativas da TIM Brasil.
Segundo ele, as verticais de IOT estão sendo mapeadas e desenvolvidas há mais de 3 anos. “Decidimos que deveríamos ser parte do ecossistema e não responder por todo o ambiente”, diz. Para comprovar a eficácia da estratégia, Gouvea cita números. “Hoje são mais de 6 milhões de hectares cobertos, com disponibilidade da tecnologia em 8 estados e benefício a mais de 575 mil pessoas. Ao cobrir o agronegócio, geramos um feito colateral positivo, porque cobrimos 24 mil km de estradas, muitas delas vicinais”.
Considerando que os negócios são interligados e interdependentes, Gouvea diz que uma ação desencadeia várias outras em segmentos distintos. Ele cita o projeto da Citrosuco, que cobre desde o cultivo no campo, passando pela produção na indústria até a logística que leva o produto ao porto para exportação. Um modelo que pode ser replicado para indústrias em outros setores, que podem ganhar eficiência e produtividade com a implementação de soluções de internet das coisas.
Presente em 4100 cidades com a cobertura 4G e com o projeto de entregar a infraestrutura a 100% dos municípios brasileiros em 2023, a TIM entende que as redes 4G LTE e 5G terão forte contribuição para o desenvolvimento da economia, especialmente o 5G, que entrega conexões ultrabandalarga, acima de 10 Gbps e latência de 3 milissegundos, viabilizando serviços sensíveis à baixa latência da rede, como carros conectados e aplicações de telemedicina, por exemplo, cirurgia a distância. Em algumas regiões de São Paulo, com o 4G LTE, a operadora informa que já entrega latência de 70 milissegundos, o que, segundo Gouvea, já é suficiente para digitalização e operação remota de redes de distribuição de energia elétrica, por exemplo.
“As redes 5G em 3,5 GHz também nos permitirão ter soluções para o setor de utilities. Já temos homologados junto o Inmetro e à Anatel dispositivos para uso em telemedição, para automação da distribuição e gestão a distância das subestações de energia. Com este mesmo dispositivo, temos parceria homologadas para o setor de saneamento, para medição remota do consumo de água e gás sem ter conexão elétrica com o ponto.
Para simplificar a abordagem ao mercado, a TIM lançou, no final de 2020, o Marketplace IoT TIM, no qual disponibiliza, por setor, soluções próprias e de parceiros. “O exemplo nesta área, são as soluções de smart lighting, conectadas através de rede NB-IoT. “Hoje das mais de 4100 cidades com 4G LTE, já habilitamos rede NB-IoT em mais de 3500.
Na área da indústria de mineração, no início deste ano, a TIM fechou parceria com a Anglo American, uma das principais empresas do setor de mineração no mundo, para instalar uma rede 4G LTE privada em cinco plantas operacionais (Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro), permitindo a expansão de projetos de conectividade, inclusive em regiões e atividades mais críticas. Serão cerca de 3.800 empregados beneficiados com a solução, em sites relacionados à produção de níquel e de minério de ferro nas unidades de negócio da empresa no Brasil.
“Neste primeiro momento estamos cobrindo com 4G LTE público e fazendo o caminho para uma 4G LTE privada”, explica Gouveia. Primeiro entendemos a demanda, o mercado, formamos as parcerias, definimos com o cliente o caminho e traçamos o projeto de implantação”, completa.
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