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Transmissão de energia vira desafio para data center no Brasil

A questão ambiental também foi tema do painel “Data Centers: A revolução industrial no Brasil”, que aconteceu no Futurecom 2025. Apesar da grande vantagem do Brasil em contar com uma grande matriz elétrica renovável, desafios na transmissão de energia podem dificultar uma política de atração de data centers para o País.

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Thiago Camargo, vice-presidente da Invest SP, destacou que a política nacional quer interiorizar os data centers, mas a falta de infraestrutura de transmissão de energia tem barrado essas iniciativas. Ele comentou que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem negado pedidos para ligação de fábricas de suco de laranja e embalagens, que dirá de data centers, que podem consumir ainda mais energia.

Como o problema não é a geração, mas a transmissão a recomendação da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é de que data centers se instalem perto de usinas geradoras, disse Camargo. A questão é que o data center não pode ser abastecido com energia intermitente, o que preocupa o setor.

“O governo federal tem que puxar debate sobre a transmissão de energia, que vai além do data center”, disse o executivo, que criticou o sistema de geração distribuída adotado no País, onde o gerador não paga custos pela transmissão e quando seu excesso de produção acaba desligando a energia, ele gera problemas entre ONS e ao próprio gerador.

Marcos Siqueira, CRO e líder de Estratégia da Ascenty, diz que a alta capacidade de geração de energia elétrica é um atrativo para investidores internacionais, mas que a questão da transmissão preocupa. “Empresas da Ásia se interessam, mas querem projetos para 2026, o que impacta a questão da infraestrutura elétrica. A EPE está analisando como dar mais celeridade ao Sistema Interligado Nacional (SIN)”, apontou.

Ascenty defende modelo sustentável

Siqueira ainda comentou sobre a estratégia de sustentabilidade da Ascenty. Ele disse que o desafio da companhia é consumir o mínimo de energia possível, mantendo o PUE (Power Usage Effectiveness) mais próximo de 1 possível. O número 1 significa o quanto de energia um data center consome para que seus equipamentos de computação fiquem ativos. Qualquer adicional nesse valor é o quanto um data center consome de energia para refrigeração e outras tarefas.

Ele lembrou que a água é mais usada em países fora do Brasil para compensar o custo da energia. “No Brasil, temos o privilégio de usar mais energia para climatização, pois é mais barata e sustentável. Mas não é por gerar muito que podemos ser irresponsáveis.”

Siqueira ainda afirmou que a Ascenty não consome água para resfriar seus equipamentos, porque optaram por circuito fechado. Ou seja, os 20 data centers que a empresa tem no Brasil só consomem água para o uso comum de seus empregados.

Sobre a energia, a empresa compra no mercado livre para garantir que venha de fonte renovável, algo importante já que trabalha no modelo de colocation e muitos de seus clientes também adotam políticas de ESG.

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