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Usando a busca para oferecer BI, Elastic muda seu foco e olha com mais carinho para o Brasil

Desenvolvedora de software open source para buscas encontrou mercado para sua solução em segurança e análise de dados e agora planeja ganhar espaço no País, através de parcerias e estudando abrir um escritório próprio.

A Elastic é uma empresa relativamente nova, com apenas seis anos de idade e focada em desenvolvimento de soluções open source de busca. Seu principal produto é o Elastic Search, lançado no nascimento da empresa e capaz de indexar a informação em tempo real e com grande escala, permitindo que se use em uma busca tradicional, como a da Uber ou da Wikipedia.

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O curioso é que, por ser uma solução aberta, os usuários perceberam que a ferramenta poderia ser utilizada para outras coisas, como consolidar logs e monitorar operações. “Ou usara para carregar informações de vendas, mostrando para a área de negócios como está a situação da empresa”, explica Andre Serpa, diretor da Elastic para América Latina. Ou seja, a solução podia trabalhar com business inteligence (BI).

O novo uso da ferramenta fez a empresa perceber suas soluções poderiam ser utilizadas de formas diferentes e começou a trabalhar melhor seu próprio produto. Serpa explica melhor essa história na entrevista a seguir, aproveitando também para avisar que a empresa agora está de olho no mercado brasileiro. Confira:

PORTAL IPNEWS: A Elastic nasceu como uma solução de busca, mas agora ela se volta ao BI. Como se deu esse processo?

Andre Serpa: A mudança de foco aconteceu nos últimos dois anos e se tornou mais forte nos últimos doze meses, quando o feedback dos clientes e da comunidade open source mostrou que era possível utilizar a tecnologia para outros fins. A operadora norte-americana Verizon, consolidava informações de clientes, sistemas, servidores e dispositivos de rede para fazer monitoramento de infraestrutura, por exemplo. Começamos a acompanhar isso e trazer novas funcionalidades para seguir o mercado. Mas é preciso lembrar que continuamos sendo uma empresa de busca, porque o que está por trás da tecnologia de BI é uma ferramenta de busca.

PORTAL IPNEWS: Qual é o diferencial do BI que a Elastic fornece?

AS: O recurso X-Pack, que envia alertas e avisar se algo anormal ocorre em uma operação. O Wallmart, por exemplo, utiliza a solução para saber quais produtos são vendidos em tempo real. Se um produto tem queda abrupta em sua média diária, o varejista consegue descobrir o porquê, que pode ser o preço estabelecido errado na gôndola.

A diferença do modelo tradicional é que os concorrentes trabalham com modelos pré-formatados, com perguntas pré-estabelecidas, enquanto a Elastic indexa informações estruturadas ou não e entrega aquilo como resultado. O próprio usuário faz a pergunta e recebe a resposta.

PORTAL IPNEWS: Vocês precisaram mudar a sua solução para atender a necessidade de BI dos clientes?

AS: Nós adaptamos a ferramenta, mas também procuramos empresas que tenham soluções feitas em cima de Elastic Search. Houve a aquisição de uma empresa de gerenciamento de performance de aplicações (APM, na sigla em inglês), a Opbaet, devido a vários clientes usarem nossa plataforma para este fim, mesmo sem ter essa funcionalidade. Outra empresa foi adquirida, a Prelert, que trouxe as soluções de machine learning e de detecção de anomalias e que já tinha um modelo de BI.

PORTAL IPNEWS: Quais os planos para o Brasil?

AS: A estratégia é desenvolver o nome da Elastic, que é bem conhecida dentro da comunidade open source, mas pouco dentro das salas de negócios, entre CIOs e CISOs, mesmo que dentro de suas empresas os colaboradores já a utilizem. O trabalho agora é de marketing e vendas, aumentando base de clientes com presenças de executivos em eventos e capacitação de canais, para que estes sejam a nossa voz.

PORTAL IPNEWS: Há planos para abrir uma operação no Brasil, com escritório e pessoal?

AS: A inauguração de um escritório no Brasil ainda está em avaliação, mas já contamos com dois engenheiros no País que trabalham com as revendas, enquanto os executivos fazem visitas mais frequentes. Temos planos de contratação de pessoal de vendas quando oficializarmos a operação no País. Na América Latina, são oito pessoas no total.

PORTAL IPNEWS: Como os parceiros se encaixam na estratégia de expansão no mercado brasileiro?

AS: Esperamos que eles sejam uma extensão da Elastic para os clientes. Nosso programa de canais, chamado Professional Services, conta com três níveis de parceria e nossos três parceiros já estão no último, com clientes e expertise em nossas soluções. A intenção agora é aumentar um pouco a quantidade, chegando até dez revendas, se possível. O número pequeno reflete o meu desejo de ter qualidade ao invés de volume.

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