Pesquisa inédita do Google for Startups revela que a maioria das startups de IA no Brasil (63%) ainda não possui uma estratégia de curto e longo prazo para o desenvolvimento e o uso da IA generativa (GenAI). O estudo, conduzido pela Box1824, buscou entender o grau de maturidade desse ecossistema na adoção da GenAI, identificando os principais desafios e fatores que possam contribuir para o desenvolvimento do setor no país.
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Intitulado “Startups & Inteligência Artificial Generativa: Destravando o seu potencial no Brasil”, o documento revela que as incertezas sobre métricas de efetividade no uso da IA Generativa, as demandas por investimentos (inclusive públicos) e desenvolvimento da força de trabalho têm sido alguns dos principais entraves apontados pelas startups para uma adoção mais ampla da GenAI.
“Nossa pesquisa revelou o potencial da inteligência artificial generativa para impulsionar diversos setores de negócios, abrindo um vasto campo de oportunidades ainda inexploradas. Esta iniciativa visa munir o ecossistema com informações estratégicas e dados concretos, capacitando líderes e investidores a tomar decisões mais assertivas”, destaca André Barrence, diretor do Google for Startups para a América Latina.
Para a produção do relatório, foram realizadas entrevistas aprofundadas com fundadores de startups, formadores de opinião sobre GenAI, e gestores de capitais de risco especializados no desenvolvimento de startups; e uma amostra quantitativa obtida por meio de questionários online com 63 tomadores de decisão de startups brasileiras focadas em IA. As apurações foram feitas em março deste ano. A atual edição é uma continuação do relatório O impacto e o futuro da Inteligência Artificial no Brasil, lançado pelo Google for Startups em 2022, com o objetivo de desvendar o impacto da Inteligência Artificial (IA) no ecossistema de startups brasileiro.
Confira abaixo os principais destaques do novo estudo do Google for Startups.
Para ler a íntegra do relatório, acesse o link: goo.gle/startups-genai
Dificuldade em construir métricas
De acordo com os dados da amostra quantitativa, os três principais casos de uso de GenAI pelas startups brasileiras são: resumir informações de várias fontes (62%), criar uma lista de fontes de dados a partir de uma interação anterior (57%) e criar uma recomendação para atividades de acompanhamento (54%).

22% disseram ainda não ser possível quantificar e mensurar os resultados do uso. Cerca de um terço (33%) acreditam que o apoio das empresas de tecnologia na transformação de modelos de GenAI em produtos com maior aceitação comercial poderia facilitar o desenvolvimento dessa tecnologia na sua startup.
Um dos maiores obstáculos apontados pelas startups é a obtenção de capital para desenvolvimento e uso dessa tecnologia. Cerca de um quarto (25%) das startups entrevistadas disseram não ter orçamento específico para esse fim. Para facilitar a adoção da GenAI, muitas delas esperam investimentos externos, sendo o investimento público (46%) o mais apontado; seguido pelos investimentos privados (VCs, aceleradoras e fundos de investimento), com 38%. Mais de um terço (35%) delas esperam maior facilidade para o acesso a capital em novas rodadas de investimento.
Infraestrutura e letramento digital
A escassez de talentos qualificados para trabalhar com IA é um desafio significativo apontado no relatório. Cerca de seis em cada dez startups (59%) acreditam que a educação e a conscientização sobre GenAI são essenciais para o desenvolvimento da tecnologia. 43% afirmam que é essencial o desenvolvimento de soft skills (linguagem, comunicação, relacionamento) para desenvolvedores no Brasil. 37% dos entrevistados acreditam que uma evolução no ensino básico para desenvolver raciocínio lógico dos brasileiros é fundamental para o desenvolvimento dessa tecnologia. Já 38% apontam a evolução no ensino superior como um aspecto crucial para melhor preparar profissionais de GenAI no Brasil.
“Há uma carência de iniciativas estruturadas que preparem a força de trabalho para lidar com tecnologias avançadas. A escassez de profissionais qualificados é exacerbada pela fuga de talentos, onde profissionais brasileiros são frequentemente atraídos por oportunidades no exterior, devido a melhores condições de trabalho e remuneração”, comenta Barrence.
Clareza e coordenação de políticas regulatórias
O estudo também revela que 83% dos entrevistados acreditam na necessidade de regulamentação específica para a GenAI. No entanto, a falta de clareza e coordenação nas políticas regulatórias é vista pelas empresas entrevistadas como obstáculo para o desenvolvimento e implementação eficaz da tecnologia.
Sobre qual deve ser o principal caminho de uma regulação da IA no Brasil, os entrevistados dividem-se: 27% acha que esse papel deveria ser atribuído a uma agência reguladora independente; cerca de um quarto (24%) dos entrevistados entende que esse tema deveria ser conduzido por meio de projeto de lei; já 16% acreditam que a IA teria de ser regulada por entidade privada ligada às empresas do setor; 11% consideram que a IA deveria ser regulado pelas próprias empresas e cerca de 13% acreditam que não deveriam haver nenhuma regulação no momento. Por fim, 9% acreditam em outros modelos.
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