Operadores de telemarketing, caixas de supermercado e atendentes de call center estão entre as atividades mais citadas
A ascensão de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) dentro do mercado de trabalho já torna possível imaginar um futuro em que elas assumirão atividades desempenhadas hoje por seres humanos. Uma pesquisa da plataforma Onlinecurrículo com 700 brasileiros mostra que sete em cada dez deles esperam que ao menos algum tipo de profissão seja substituído por mecanismos de IA no futuro próximo.
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Para os brasileiros, as profissões com maior probabilidade serem substituídas são as que lidam com atendimento ao público. Para 69,2%, a operação de telemarketing é a profissão mais ameaçada, seguida por caixas de supermercado (68,2%) e atendentes de call center (65,7%). Na sequência, mas com maior distância, estão operários de fábrica (39,5%) e analistas de dados (38,7%).
A percepção geral, porém, é que essas novas tecnologias não tomarão conta totalmente dos empregos: para 47% dos ouvidos, a IA assumirá, na verdade, o papel somente de alguns trabalhos que hoje são desempenhados por pessoas. Outros 27% dizem, porém, que essa substituição afetará várias profissões.
A Onlinecurrículo ouviu 700 pessoas de diversos segmentos produtivos, faixas etárias, classes sociais e regiões do país entre os dias 14 e 21 de junho de 2023. A margem de erro da pesquisa é de 3.7 pontos porcentuais. Para acessar a pesquisa, clique aqui.
IA pode aperfeiçoar profissões
Apesar do receio do brasileiro, Amanda Augustine, especialista em carreiras da Onlinecurriculo, acredita que a pesquisa reflete a primeira impressão comum que se tem sobre as potencialidades da Inteligência Artificial. “Sempre que uma nova tecnologia emerge no cenário mundial, é natural questionar seus efeitos no mundo do trabalho. Aconteceu a mesma coisa quando a Internet chegou ao grande público, algumas décadas atrás”, explica ela.
“É verdade que a IA tem capacidade de assumir algumas atividades, embora essa escala não seja tão definida no cenário atual. Talvez seja melhor pensar em como a tecnologia disponível tem condições de fazer com que as diversas profissões se aperfeiçoem”, continua.
Essa também parece ser a percepção de boa parte da população: 41% dos entrevistados disseram, por exemplo, que ferramentas capazes de simplificar tarefas hoje rotineiras seriam bem-vindas em seus postos de trabalho. Outros 30% responderam que gostariam de ter dispositivos à mão para resolver problemas do dia a dia.
Mesmo profissões que dependem de critérios subjetivos para suas atividades, como criatividade, por exemplo, admitiriam colaborações automatizadas. No estudo da Onlinecurrículo, 39% das pessoas afirmaram que precisariam de dispositivos para ajudá-las a criar conteúdos de qualidade – como textos, por exemplo.
“Se a adoção da Inteligência Artificial resolver necessidades como essas, presentes nas empresas e na vida dos profissionais, então ela terá menos esse papel de substituição e mais de colaboração”, analisa Amanda Augustine. “Encontrar esse equilíbrio é o mais importante agora”, completa.
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