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PLC 79/16 não resolve má gerência do FUST, que vai ser usado inclusive para reduzir custo do diesel

Fundo de universalização tem sido utilizado para pagar contas do Tesouro e agora foi contingenciado nos subsídios ao diesel. MCTIC também perdeu R$ 21,7 milhões para frear a greve dos caminhoneiros.

Durante debate sobre o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 79/2016 no Encontro Nacional da Abrint 2018, realizado hoje (5/6) em São Paulo (SP), a principal polêmica foi sobre o uso do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST). Entre as diversas falhas do PLC, que altera a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), está a falta de um posicionamento sobre o uso do fundo.

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Conforme dito por Rafael Zanatta, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), desde sua criação há quase 18 anos, acumulou cerca de R$ 40 bilhões, sendo que 99,5% do valor foi utilizado para pagar contas da União ao invés de ser investido na universalização de telecom no País.

O exemplo mais claro do mau uso do fundo foi feito há cerca de uma semana, quando o governo federal decretou uma série de medidas provisórias para reduzir o preço do diesel e frear a greve dos caminhoneiros. Para abrir mão de R$ 9,5 bilhões pela desoneração do combustível, o governo reduziu gastos em educação e saúde e também na área de telecomunicações.

A partir da MP 839, R$ 777 milhões do FUST foram contingenciados, alerta Flavia Lefèvre, advogada da Proteste Associação de Consumidores. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações também perdeu R$ 21,7 milhões de seu orçamento através da mesma MP, valores que seriam usados em pesquisas e inovação em diferentes áreas, entre outros itens.

Para Zanatta, do IDEC, o FUST hoje é alvo de corrupção e má gerência e que o PLC 79/16 não discute. “Cerca de 70 projetos de lei mexem neste assunto e é importante que ele seja tratado no PLC porque este valor não é dado de bom grado das operadoras ao governo. Ele é repassado ao consumidor”, lembra o advogado.

Cristiane Sanches, diretora jurídica da Abrint e da Netserv, também é a favor de que o PLC traga um maior controle do FUST. “Tem que haver uma mudança total na finalidade quanto na destinação para torna-lo útil ao setor”, diz. Para ela, uma forma seria utilizar o recurso de uma forma semelhante ao que é feito no programa Luz para Todos, onde fundos do setor de energia financiam a universalização do acesso à energia elétrica.

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