As Prestadoras de Pequeno Porte (PPPs) ou ISPs (internet service providers) consolidaram sua posição como protagonistas no mercado brasileiro de banda larga fixa, respondendo por 64% dos investimentos (CAPEX) e 46% da receita operacional líquida (ROL) do setor de telecomunicações, de acordo com o Relatório Setorial da Anatel sobre o desempenho das PPPs, elaborado pela Superintendência de Competição da agência. O levantamento abrange o período entre o primeiro trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2024 e compara o desempenho dessas operadoras com o das grandes empresas de telecomunicações.
CONTEÚDOS RELACIONADOS
- Abrint apoia PPPs no PGMC, mas critica exclusões no mercado móvel
- Desafios e oportunidades para os ISPs: Rodrigo Schuch, da Associação NEO, projeta cenário para 2026
O estudo reforça que as PPPs (cerca de 7,3 mil empresas ativas) têm papel essencial na universalização do acesso à internet, especialmente em regiões onde as operadoras incumbentes não têm presença significativa. Juntas, elas já são responsáveis por 46% do tráfego total de dados do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), com resultados de eficiência e expansão que se aproximam dos grandes grupos do setor, como Vivo, Claro, Oi e TIM.
Crescimento acelerado das receitas
A ROL das PPPs apresentou crescimento de 20% entre o primeiro trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2024, enquanto as operadoras de grande porte registraram avanço de apenas 4% no mesmo período. O aumento é atribuído tanto à entrada de novas empresas quanto ao crescimento do número de acessos, impulsionado pela demanda crescente por conectividade e pela oferta de pacotes de fibra óptica em áreas antes desatendidas.
As PPPs concentram 94% de suas receitas no serviço de banda larga fixa, e o restante se divide entre TV por assinatura, telefonia e outros serviços. Embora apenas 13 PPPs sejam classificadas como grandes empresas, elas respondem por cerca de 33% da ROL total do segmento. Já as médias empresas concentram 44% das receitas, e o restante é distribuído entre pequenas e microprestadoras.
Em estados do Nordeste, como Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí, a participação das PPPs é ainda mais expressiva – entre 70% e 80% da receita local de SCM -, evidenciando o papel dessas operadoras na redução das desigualdades regionais.
Investimentos em infraestrutura
Entre 2023 e 2024, os investimentos no setor de banda larga fixa variaram entre R$ 4,2 bilhões e R$ 5,2 bilhões por trimestre. As PPPs aplicaram, em média, R$ 18 bilhões em infraestrutura de rede nesse período, contra R$ 10,2 bilhões das grandes operadoras.
Segundo a Anatel, essa diferença decorre da necessidade de construção de redes próprias de fibra óptica por parte das pequenas empresas, enquanto as grandes realizam apenas investimentos incrementais sobre infraestruturas já consolidadas.
O relatório observa que esses aportes das PPPs geram efeitos multiplicadores sobre a economia, com impacto positivo na produtividade, inovação e inclusão digital, especialmente em municípios pequenos e periferias urbanas.
Consumo e preço do gigabyte
O volume de dados trafegados pelas PPPs é muito próximo ao das grandes operadoras, representando em torno de 46% do total de gigabytes cursados no SCM. As 13 maiores PPPs respondem por cerca de metade desse tráfego, indicando o peso das redes regionais mais estruturadas.
O consumo médio por usuário nas PPPs é praticamente equivalente ao das grandes operadoras, oscilando entre 296 GB e 319 GB por mês, segundo o estudo. Já o preço médio do gigabyte ficou em R$ 0,29, ligeiramente abaixo dos R$ 0,32 registrados pelas incumbentes, reforçando a competitividade das PPPs em preço e qualidade de serviço.
Importância estratégica
De acordo com a Anatel, o avanço das PPPs é resultado direto das políticas de estímulo à competição, previstas no Plano Geral de Metas de Competição (PGMC). Desde sua implementação, o número de provedores regionais cresceu exponencialmente, fazendo do Brasil um dos países com maior número de prestadores de internet do mundo.
Essas empresas desempenham papel estratégico na democratização do acesso à conectividade, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, e em áreas rurais ou de baixa atratividade econômica. Para a Anatel, sua expansão é vital para garantir a inclusão digital e o equilíbrio competitivo do setor.
O relatório conclui que as PPPs deixaram de ser coadjuvantes e se tornaram atores centrais na infraestrutura de conectividade nacional, sustentando a maior parte dos investimentos e metade do tráfego de dados do País.
Participe das comuni IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e X
