A Sabesp está ampliando o uso de sensores inteligentes e de inteligência artificial no monitoramento das redes de esgoto da capital paulista, com foco na detecção antecipada de entupimentos e falhas operacionais. Atualmente, 315 sensores estão instalados na cidade; em dezembro, a companhia iniciará a instalação de mais 974 unidades, elevando o total para 1.289 sensores em operação. A tecnologia monitora, em tempo real, o comportamento das tubulações, poços de visita e estações elevatórias, permitindo atuação preventiva antes que ocorram vazamentos ou transtornos à população.
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Os sensores fazem medições contínuas de nível do esgoto e enviam dados à central de monitoramento, onde modelos de IA analisam padrões e identificam riscos de obstrução, redução de capacidade ou extravasamentos. Quando o sistema detecta alterações críticas, um alerta automático é disparado, permitindo envio imediato de equipes ao local. A plataforma também integra informações de chuva, vazão, qualidade da água e indicadores ambientais, ampliando a precisão da análise operacional.
O uso intensivo da tecnologia já apresenta resultados expressivos. Na região central da capital, o sistema antecipou soluções em 36.341 ligações de esgoto, beneficiando mais de 200 mil pessoas e evitando ações emergenciais. Em Santana, onde o projeto começou em 2022, foram realizadas 251 vistorias, com sete ocorrências solucionadas de forma totalmente preventiva.
A expansão dos sensores considera áreas com maior incidência de entupimentos, especialmente regiões com grande concentração de bares e restaurantes, onde o descarte irregular de óleo é frequente. Em bairros como Santana, Tatuapé e Mooca, o mapeamento prévio identificou pontos críticos que passaram a receber monitoramento contínuo. Hoje, o sistema cobre mais de 150 bairros da capital.
Na região central, o monitoramento é reforçado por um sistema de gêmeos digitais (SewerSight), que oferece visão integrada da infraestrutura e apoia decisões operacionais. O modelo permite simular cenários, comparar histórico de eventos e ajustar rotas de manutenção.
Além das redes, a tecnologia também protege córregos urbanos. O monitoramento de nível em poços próximos aos corpos d’água é combinado à análise de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) e DQO (Demanda Química de Oxigênio), indicadores que refletem a presença de poluição orgânica ou total. Quando esses índices aumentam, as equipes são acionadas para atuar antes que a carga contaminante avance para rios e afluentes.
Apesar da automação crescente, a Sabesp reforça que o mau uso da rede continua sendo uma das principais causas de obstruções. Entre os materiais que mais provocam entupimentos estão panos, plástico, fraldas, madeira, entulho, óleo de cozinha e água de chuva ligada indevidamente ao esgoto. Essas práticas podem causar retornos para a rua ou dentro das residências, além de poluir rios e córregos.
Segundo Maycon Abreu, diretor regional Centro da Sabesp, o sistema amplia a capacidade de resposta da companhia e reduz riscos tanto operacionais quanto ambientais. A tecnologia, afirma, “permite agir antes do problema acontecer”. Para o diretor regional Norte, Cesar Ridolpho, o monitoramento contínuo fortalece a eficiência das estações de tratamento e ajuda a manter a qualidade da água nos córregos da capital.
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