O aumento dos ataques cibernéticos e das denúncias de crimes digitais reforça a necessidade de ferramentas capazes de antecipar ameaças antes que elas causem impactos às organizações. Nesse cenário, empresas brasileiras têm investido em plataformas de inteligência em ameaças cibernéticas para monitorar riscos em diferentes camadas da internet, incluindo a deep web e a dark web.
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De acordo com o Identity Fraud Report 2025–2026, o Brasil é o sétimo país mais afetado por ataques cibernéticos no mundo. Já a SaferNet registrou crescimento de 28% nas denúncias de crimes praticados pela internet em 2025.
Uma das soluções desenvolvidas no país é a plataforma BTTng, da Apura Cyber Intelligence. A ferramenta monitora continuamente fontes abertas da internet, incluindo fóruns, comunidades e canais utilizados por grupos criminosos para discutir ataques, fraudes, vazamentos de dados e outras atividades ilícitas.
Segundo Nilson Oliveira, COO da Apura, a inteligência em ameaças cibernéticas permite identificar riscos que dificilmente seriam detectados por mecanismos tradicionais de monitoramento. “As redes digitais se tornaram ambientes onde grupos criminosos organizam ações, testam narrativas e coordenam ataques em tempo real. O trabalho de inteligência acompanha esses movimentos para produzir informações que apoiem a prevenção e a tomada de decisão”, afirma.
A plataforma opera com milhares de robôs de coleta e análise capazes de processar milhões de eventos diariamente. Os dados são tratados com recursos de inteligência artificial que identificam padrões, correlacionam informações, detectam comportamentos anômalos e geram alertas sobre possíveis incidentes.
Entre as funcionalidades estão análise de similaridade de imagens, classificação automatizada de riscos, identificação de campanhas coordenadas e criação dinâmica de perfis de atores de ameaça. Segundo a empresa, o objetivo é transformar grandes volumes de dados em inteligência acionável para equipes de segurança.
A tecnologia também é utilizada por órgãos públicos. A Apura foi contratada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para fornecer capacidade de monitoramento e inteligência em ameaças digitais, apoiando ações de prevenção e investigação.
Para Oliveira, a combinação entre coleta de dados, inteligência artificial e análise especializada permite que empresas e órgãos públicos atuem de forma preventiva. “A internet deixou de ser apenas um ambiente de risco para se tornar também uma fonte estratégica de inteligência, capaz de revelar ameaças antes que elas se concretizem”, conclui.
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