Em sua nota oficial, Carnevali afirma que sempre atuou na empresa com o total conhecimento da Matriz, devolvendo para a companhia a responsabilidade pela aprovação de todas as operações da Cisco no Brasil.
Pela primeira vez o ex-presidente da Cisco para a América Latina, Carlos Carnevali, resolve dar a sua versão – em nota oficial – sobre fatos que envolveram o seu nome com a “Operação Persona” – deflagrada pela Polícia e Receita Federal. O esquema de sonegação fiscal com equipamentos desta companhia podem ter gerado um rombo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos, segundo informações da Receita Federal.
Em sua nota oficial, Carnevali afirma que sempre atuou na empresa com o total conhecimento da Matriz, devolvendo para a companhia a responsabilidade pela aprovação de todas as operações da Cisco no Brasil.
“Nos cerca de 13 anos em que estive vinculado à CISCO, nenhuma prática por mim adotada ocorreu sem o total conhecimento, aprovação e controle da matriz da CISCO nos Estados Unidos – visto que toda e qualquer operação comercial, contratação, acordo de parceiros, política de canais, concessão de crédito e determinação de níveis de desconto seguem um rigoroso processo de aprovação interna e que não se subordina diretamente às estruturas e operações de cada país”, declarou.
Carnevali também nega que seja “sócio oculto” da Mude distribuidora e afirma que provará a sua inocência e buscará a reparação por danos morais. Leiam a íntegra da nota oficial do ex-executivo da Cisco:
Carlos Roberto Carnevali vem a público prestar esclarecimentos:
Em 1994 fui contratado pela CISCO SYSTEMS INC. para implementar a primeira sucursal da Cisco na América Latina, CISCO Brasil, em face de meu vasto conhecimento técnico e mercadológico como engenheiro eletrônico e administrador de empresas. Durante os 40 anos que acompanham minha carreira, minhas atitudes sempre foram pautadas por valores éticos e de transparência.
De 1994 até 1998, como funcionário da CISCO do Brasil, atuei no âmbito nacional, criando um significativo mercado para a empresa americana, seguindo sempre o seu modelo internacional de gestão, hierarquizado e sem autonomia. A filial brasileira sempre foi objeto de continua auditoria pela CISCO americana.
A partir de 1999 recebi a missão de redesenhar a atuação da empresa na América do Sul e posteriormente em toda América Latina, ficando afastado do dia a dia das operações da CISCO no Brasil.
Em 2004 fui nomeado Vice Presidente da CISCO para a América Latina e Caribe, tendo a CISCO inclusive designado um novo presidente para o Brasil. Estou, portanto, há 03 anos totalmente afastado das operações da CISCO no Brasil, distante das práticas realizadas, neste país, pelos distribuidores da CISCO.
Meu trabalho referia-se exclusivamente à representação institucional da CISCO na América Latina, sendo notório o fato de que passava metade do tempo fora do país em viagens.
A acusação que me fazem é de que sou sócio oculto da empresa MUDE, o que é absolutamente inverídico. Não há qualquer elemento indiciário e indicativo de tal acusação, comprovando tal fato a abertura de meus próprios sigilos fiscal e bancário, já à disposição das autoridades.
Nos cerca de 13 anos em que estive vinculado à CISCO, nenhuma prática por mim adotada ocorreu sem o total conhecimento, aprovação e controle da matriz da CISCO nos Estados Unidos – visto que toda e qualquer operação comercial, contratação, acordo de parceiros, política de canais, concessão de crédito e determinação de níveis de desconto seguem um rigoroso processo de aprovação interna e que não se subordina diretamente às estruturas e operações de cada país.
Estando prestes a completar 60 anos, após avançadas tratativas para deixar a posição de Vice-Presidente para a América Latina, tomei conhecimento através da mídia e com profunda estupefação de que fora demitido pela CISCO durante o período em que me encontrava custodiado, sem nem sequer haver sido notificado pela empresa.
Provarei a minha inocência e buscarei o total ressarcimento dos danos morais e patrimoniais sofridos pelas injustas acusações.
A nota oficial, com a data de hoje (13/12), é assinada pelo ex-executivo da Cisco.

