A sigla ESG, que abarca iniciativas de ambientais, sociais e governamentais, precisa fazer parte do planejamento de provedores de internet (ISPs), independentemente de seu tamanho. Segundo Márcio Limo, sócio-diretor da Collin Consultoria, o ESG já é uma exigência do mercado financeiro para empresas conseguirem alavancar crédito. O executivo participou do painel “Inovando em ESG”, realizado hoje (13/6) no Encontro Nacional Abrint 2024, que acontece em São Paulo.
Ele explicou que a concessão de financiamentos tem critérios socioambientais, além dos critérios de governança que já eram levados em conta antes. Isso começou a ocorrer de forma oficial em setembro de 2023, com a entrada em vigor de um regulamento do Banco Central, que obriga às instituições financeiras a publicar relatórios sobre a sua atuação socioambiental, o que inclui os investimentos que elas estão concedendo em sua carteira de clientes.
Esse movimento em cadeia influencia a captação de crédito por provedores, que precisam mostrar sua competência nos critérios ESG. Como ainda não há previsão legal obrigando o setor, está aberta uma janela de oportunidade principalmente para os provedores menores e médios, que podem sair na frente da concorrência.
Gabriella de Salvio, especialista em consultoria ESG para telecom no escritório Souto Correa Advogados, que também participou do painel, lembra que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está revendo um regulamento que pode beneficiar os ISPs que estão seguindo o ESG. A revisão do Regulamento de Aplicação de Sanções Administrativas (RASA) pode permitir que multas pecuniárias se torne em obrigações ligadas ao cumprimento de metas ESG.
“É uma oportunidade para os provedores estruturarem projetos para atender o RASA no futuro”, destaca. “Eles podem se aproveitar do fato de serem pequenos e não serem obrigados e de não ter expectativa de que façam isso, o que pode ser um diferencial no mercado.”
Por onde começar
Gabriella recomenda que o primeiro passo precisa ser elencar um profissional para estudar o ESG e desenvolver políticas a partir das falhas da companhia. Olhar os relatórios de sustentabilidade das operadoras pode dar um norte para a operação, por exemplo. “Começar pelos pontos fortes e olhar para o que os concorrentes fazem. Começa pequeno, mas começa.”
A governança parece ser a letra mais clara para uma empresa iniciar o processo de ESG, mas Limo diz que pode-se ir além. “A governança é a parte inicial de toda a empresa porque ela tem que pelo menos ter uma ata de constituição, mas não necessariamente você começa por uma das três letrinhas, você começa por todas.”
Ele lembra que, só de empregar alguém, um provedor já começa a ter impacto social pois gera renda. A partir desse ponto, ele pode avançar e se preocupar com a diversidade de sua equipe e pensar em iniciativas de inclusão. Além disso, há o impacto ambiental de sua operação, muito influenciada pelo consumo de energia, que pode buscar fontes renováveis a partir do mercado livre ou geração solar própria. Medidas como a frota de suporte técnico movida a etanol, por exemplo, também contam.
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