Abrint Global Congress - 2025Segurança

Delegado pede mais compreensão de ISPs para compartilhar dados com polícias

O cenário de crimes digitais no Brasil é crítico. Fora as fraudes e golpes online, há também delitos que envolvem agressões e assédios transmitidos online e a distribuição de pornografia infantil. Para combater esses crimes, Alesandro Gonçalves Barreto, delegado de Polícia e Coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas na Secretaria de Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, pediu para que os provedores compartilhem mais dados com as polícias.

“O compartilhamento é fundamental para o combate ao crime e há provedores que não atendem pedidos da Secretaria. Não compartilham dados com a Justiça sem ordem policial”, explicou o delegado durante um painel sobre segurança cibernética realizado no Abrint Global Congress (AGC 2025).

Segundo ele, a velocidade é fundamental não só para capturar criminosos, mas para coibir crimes. Com a ajuda rápida de provedores, por exemplo, é possível fechar a transmissão ao vivo de crimes pela internet, evitando que eles se tornem virais e incitem novas ações. “As polícias têm muita dificuldade de coibir crimes online. Só no Telegram, já foram identificados 14 mil grupos de compartilhamento de dados vazados”, disse.

ISPs já ajudam no combate a crimes digitais

O delegado ainda comentou que, mesmo na dificuldade, a polícia ainda tem feito seu trabalho. Ele lembrou que da operação Attack Mestre, que contou com a ajuda da Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abrint) e de seus associados para desarticular uma quadrilha de ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS) a ISPs em 2020.

Neste caso, as Polícias Civis de Goiás e Tocantins, com o apoio do Ministério da Justiça, cumpriram cinco mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária em operação. Um dos investigados, que usa o codinome “Topiary”, foi preso em São Paulo, e o outro, chamado de “Guerreiro”, continua foragido até hoje. Em outra fase da operação, a PC do Tocantins obteve prisão preventiva de um dos mentores intelectuais da quadrilha, um homem de 31 anos, que já havia sido liberado após a prisão temporária e foi reencaminhado para a Penitenciária de Goiânia.

Os criminosos demonstravam alto grau de conhecimento em TI, utilizando uma rede de computadores infectados como bots para orquestrar os ataques DDoS. Uma vez comprometida a infraestrutura dos alvos, a quadrilha interrompia o tráfego de dados, derrubando servidores e roteadores de provedores regionais. Para cessar o ataque, os bandidos enviavam comunicações — muitas vezes via WhatsApp — exigindo valores em criptomoedas, configurando crime de extorsão virtual.

Além da interrupção de atividades, as empresas vítimas arcaram com prejuízos diretos, como gastos para mitigar os ataques, aumento de custos com banda e armazenagem de logs, e perda de receita por indisponibilidade. Em um dos casos mais destacados, uma provedor regional reportou prejuízo estimado em R$ 150 mil durante um único episódio de ataque.

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