
O Brasil enfrenta uma migração em larga escala de dispositivos conectados. Segundo o estudo técnico recém-lançado pela operadora virtual Links Field, especializada em conectividade M2M e IoT, mais de 20 milhões de dispositivos IoT conectados hoje via 2G e 3G precisarão ser substituídos ou atualizados até 2028 – ano-limite estabelecido pela Anatel para o desligamento gradual dessas redes no país. Hoje, o Brasil tem cerca de 40 milhões de dispositivos IoT conectados (soma de M2M IoT com Ponto de serviço), desse total, cerca de metade já migrou para a rede 4G, segundo levantamento feito pela Links Field.
CONTEÚDO RELACIONADO – Mercado global de IoT deve atingir US$ 5,3 trilhões até 2032, com crescimento anual de 21,3%
A publicação, intitulada “Soluções Técnicas da Transição de Tecnologia 2G/4G no Brasil”, aponta riscos concretos para operações baseadas em rastreamento, telemetria, meios de pagamento e segurança eletrônica, e traz orientações para evitar falhas críticas na migração. A transição exige mais do que apenas trocar dispositivos: implica decisões técnicas sobre bandas, protocolos e compatibilidade com redes móveis nacionais.
Thiago Paulino Rodrigues, CEO da Links Field e coautor do estudo, alerta que “o desligamento do 2G e 3G não é uma simples troca de tecnologia, mas uma mudança estrutural que impacta cadeias inteiras de operação”. A recomendação é que empresas iniciem imediatamente seus planos de atualização para evitar indisponibilidade de serviços ou perdas operacionais.
O estudo destaca, por exemplo, que a transmissão de um arquivo de 100 MB pode levar até 5 horas em 2G – enquanto o mesmo processo ocorre em menos de 1 segundo com tecnologia Cat-1. Outro ponto crítico é o uso de SMS em redes LTE: sem suporte ao VoLTE ou protocolos como SMS over IMS, dispositivos legados falham na entrega de comandos essenciais, o que pode comprometer sistemas automatizados.
Marcos Betiolo Romero, CTO da Links Field e curador técnico do eBook, destaca que a escolha do dispositivo é um dos principais fatores de risco. “Bandas incompatíveis com a operadora, ausência de fallback ou falhas no suporte a protocolos podem inviabilizar projetos inteiros. Nosso estudo mostra como identificar e evitar esses problemas com base em testes e dispositivos homologados no Brasil.”
O material também compara cinco dispositivos 4G com fallback para 2G usados no mercado nacional – entre eles modelos da Queclink, BWS, Voxter, Suntech e X3 Tech – e avalia critérios como consumo de energia, tensão de operação, memória e resistência.
Além disso, o estudo explora o comportamento das redes LTE em contextos de mobilidade, mapeia as bandas de frequência utilizadas no Brasil pelas operadoras e discute as implicações técnicas do refarming, ou reaproveitamento de espectro.
Para empresas que operam soluções conectadas, a recomendação é clara: avaliar a infraestrutura atual, testar dispositivos compatíveis com redes 4G e iniciar a migração gradualmente, antes que a desativação afete a operação.
Participe das comuni IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn, WhatsApp e X

