O avanço acelerado da inteligência artificial generativa (GenAI) no ambiente corporativo tem ampliado os riscos de segurança digital. De acordo com o relatório The State of Generative AI 2025, elaborado pela Unit 42 – unidade de inteligência da Palo Alto Networks – o tráfego global relacionado ao uso dessas ferramentas cresceu 890% em 2024. Como consequência, os incidentes de perda de dados envolvendo GenAI aumentaram 2,5 vezes em 2025, representando hoje 14% dos casos de vazamentos em aplicações SaaS, como e-mail corporativo, armazenamento em nuvem e plataformas de colaboração.
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No Brasil, a tendência é semelhante. A análise da Palo Alto Networks mostra que ferramentas como Grammarly, ChatGPT e Microsoft Power Apps estão entre as mais utilizadas no ambiente corporativo. O Grammarly lidera em volume de transações (44,37%), seguido por ChatGPT (20,20%) e Power Apps (13,55%). Já em volume de dados trafegados, o Power Apps assume a liderança (33,68%), à frente do ChatGPT (22,04%) e do Grammarly (21,43%).
Segundo Marcos Oliveira, country manager da Palo Alto Networks no Brasil, o uso não monitorado dessas soluções, conhecido como Shadow AI, é um dos principais desafios. “No Brasil, onde essas tecnologias estão sendo adotadas rapidamente, é fundamental estabelecer políticas claras de uso e mecanismos de controle para que seus benefícios sejam aproveitados sem comprometer a segurança”, afirma.
A proliferação de GenAI no ambiente corporativo inclui ações aparentemente inofensivas — como gerar e-mails, consultas técnicas via chatbot ou automação de código — mas que, quando realizadas fora da supervisão da área de TI, podem expor dados confidenciais, violar normas regulatórias ou comprometer propriedade intelectual.
Para mitigar esses riscos, a Palo Alto Networks desenvolveu a solução AI Access Security, que permite visibilidade em tempo real sobre o uso de GenAI nas empresas, além de aplicar políticas de acesso de acordo com o risco de cada aplicação, sem afetar a produtividade das equipes.
Estratégias para conter o risco
A recomendação da empresa é que as organizações adotem uma estratégia de segurança baseada em múltiplas camadas. Entre as práticas sugeridas estão:
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Controles de acesso condicionais, que ajustam a permissão com base no perfil do usuário, dispositivo utilizado e criticidade da aplicação;
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Inspeção de conteúdo em tempo real, capaz de detectar e bloquear o envio de dados sensíveis a plataformas externas;
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Modelo de confiança zero (Zero Trust), que exige autenticações contínuas e monitoramento comportamental, mesmo dentro da rede corporativa.
Essas abordagens são especialmente importantes diante do crescimento do uso de GenAI em setores como saúde, educação, finanças e manufatura. Com a alta digitalização e uma força de trabalho cada vez mais conectada, o Brasil se tornou um mercado estratégico para a adoção segura de inteligência artificial.
O relatório da Unit 42 reforça que, para evitar que a velocidade da inovação ultrapasse a capacidade de proteção das empresas, é essencial combinar tecnologia, processos e capacitação contínua das equipes. A GenAI pode ser uma aliada importante na transformação digital — desde que usada com responsabilidade e sob controle.
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