Um paradoxo preocupante domina o cenário da cibersegurança entre empresas brasileiras. Embora a maioria dos líderes de TI afirme adotar estratégias preventivas, a prática revela a ausência até mesmo de métodos reativos e falta de clareza sobre o que caracteriza uma defesa realmente proativa. Este fenômeno de proatividade de fachada foi identificado pelo CISO Survey, levantamento encomendado pela Kaspersky e realizado com 300 gestores de segurança de seis países da América Latina, incluindo o Brasil.
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Segundo a pesquisa, 82% dos líderes brasileiros classificam sua abordagem de proteção como proativa. O número, no entanto, contrasta com gargalos básicos entre as organizações. De acordo com o relatório, 34% das companhias operam sem firewall, 38% não utilizam inteligência de ameaças para antecipar ataques e 30% carecem até de softwares antivírus.
Os dados apontam ainda uma confusão conceitual sobre as posturas de defesa. Entre os entrevistados, 38% classificam erroneamente o antivírus como uma solução proativa. Na prática, este é um recurso reativo, que dispara alertas somente após a identificação de uma ameaça.
Também é preocupante a percepção de 30% e 26% dos respondentes, respectivamente, de que EDR (Endpoint Detection and Response) e XDR (Extended Detection and Response) seriam tecnologias reativas. Na realidade, esses sistemas avançados são partes fundamentais de uma estrutura preventiva, pois correlacionam dados de múltiplos vetores, como redes, e-mails e nuvem, para identificar invasões antes que elas se tornem crises.
Como CISOs podem ser mais proativos
Para reduzir a “proatividade de fachada” e fortalecer a resiliência digital, a Kaspersky recomenda ajustes na governança de segurança, com foco em alinhamento estratégico, automação e maturidade tecnológica. A empresa destaca as seguintes medidas:
- Promover workshops executivos de alinhamento, com foco em esclarecer a alta gestão sobre as diferenças entre tecnologias reativas, como firewall e antivírus, e tecnologias proativas, como inteligência de ameaças, SIEM e XDR, capazes de antecipar riscos e correlacionar eventos em estágios iniciais;
- Desenvolver roadmaps tecnológicos alinhados ao nível de maturidade cibernética da organização, consolidando os controles básicos e priorizando, de forma gradual, a integração de soluções de detecção e resposta nos endpoints (EDR) e de orquestração e automação (SOAR), reduzindo a dependência de processos manuais;
- Estabelecer indicadores claros de desempenho (KPIs) e de risco (KRIs), conectando a cibersegurança diretamente aos objetivos do negócio, com foco em métricas como tempo médio de detecção e resposta, taxa de ataques evitados na fase de reconhecimento e frequência de exercícios de simulação;
- Criar uma agenda recorrente de avaliações de risco, com periodicidade mínima trimestral, evitando que revisões de segurança ocorram apenas após incidentes internos ou casos amplamente divulgados no mercado;
- Automatizar o uso de inteligência de ameaças, substituindo a compilação manual de informações por feeds integrados às plataformas de segurança, permitindo a identificação de comportamentos anômalos em tempo real e acelerando a resposta a incidentes.
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