O mercado brasileiro de cibersegurança deve movimentar R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028, segundo o Relatório de Cibersegurança 2025 da Brasscom. O crescimento é impulsionado pela aceleração da transformação digital, pelo avanço da inteligência artificial e pelo aumento contínuo dos ataques cibernéticos contra empresas e infraestrutura crítica.
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Apesar do potencial bilionário, o estudo alerta que muitas organizações brasileiras ainda operam com níveis insuficientes de maturidade em segurança digital, mantendo investimentos abaixo do necessário diante da sofisticação crescente das ameaças.
Atualmente, o Brasil ocupa a 12ª posição no mercado global de cibersegurança, movimentando cerca de US$ 3,3 bilhões em 2024. O valor ainda está distante dos principais mercados globais: os Estados Unidos lideram com US$ 85,8 bilhões, seguidos pela China, com US$ 22,8 bilhões.
Segundo a Brasscom, empresas brasileiras destinam entre 11% e 13% de seus orçamentos de TI para cibersegurança. Pequenas empresas investem, em média, 12,5% do orçamento tecnológico em proteção digital; médias empresas aplicam 11,6%; e grandes corporações chegam a 13,6%.
O estudo também projeta crescimento desses investimentos entre 2025 e 2026. A expectativa é de alta de 8,8% nos gastos das pequenas empresas, 9,2% nas médias e 8,5% nas grandes organizações.
Mesmo com a expansão dos aportes, a entidade afirma que o cenário ainda preocupa devido ao aumento da superfície de ataque das organizações. O Brasil registrou cerca de 60 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2023 e segue entre os países mais visados por criminosos digitais.
A Brasscom destaca que setores intensivos em dados, operações críticas e ambientes altamente conectados devem concentrar parte relevante dos novos investimentos nos próximos anos, pressionados pela necessidade de ampliar proteção operacional, conformidade regulatória e continuidade dos negócios.
Entre as ameaças mais recorrentes apontadas pelo relatório estão ransomware, phishing, exploração de APIs e ataques contra ambientes em nuvem. A expansão da IA generativa também passa a criar novos desafios relacionados à automação de ataques e ao vazamento de informações corporativas.
O custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a US$ 1,36 milhão, enquanto a média global atingiu US$ 4,88 milhões. Segundo o levantamento, o país registrou em 2024 o terceiro maior aumento mundial no custo de vazamentos de dados, atrás apenas de Itália e Alemanha.
Outro gargalo apontado pela Brasscom é a falta de profissionais especializados. Entre 2015 e 2024, o número de trabalhadores empregados em segurança da informação cresceu, em média, 16,1% ao ano. Ainda assim, a oferta de mão de obra continua insuficiente para atender a demanda crescente do mercado.
Em 2023, apenas 1.849 profissionais concluíram cursos diretamente ligados à área de segurança cibernética no país. O déficit já pressiona salários, aumenta custos operacionais e dificulta a formação de equipes maduras nas empresas.
Na avaliação da Brasscom, o Brasil vive um momento decisivo para consolidar sua maturidade digital. O avanço acelerado da economia conectada amplia o potencial do mercado de cibersegurança, mas também eleva o nível de exposição das empresas, exigindo investimentos mais estruturais e contínuos em proteção digital.
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