Carreira

IA amplia déficit de talentos em cibersegurança, aponta Fortinet

A escassez de profissionais qualificados continua sendo um dos principais desafios para a segurança cibernética nas empresas. Segundo o Relatório Global sobre a Lacuna de Habilidades em Segurança Cibernética 2026, divulgado pela Fortinet, a falta de competências especializadas permanece entre as principais causas de incidentes de segurança, ao mesmo tempo em que o avanço da inteligência artificial cria novas demandas de qualificação.

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O estudo revela que 56% dos líderes de TI e segurança consideram a carência de profissionais especializados um dos fatores que mais contribuem para violações de segurança. Apesar disso, 49% afirmam enfrentar dificuldades para obter aprovação interna para ampliar suas equipes de cibersegurança.

A pesquisa mostra uma contradição crescente nas organizações. Enquanto 51% dos entrevistados apontam a necessidade de profissionais seniores como prioridade, quase metade relata barreiras corporativas para contratar novos talentos, mesmo diante do aumento dos riscos cibernéticos.

Violações geram prejuízos milionários

O levantamento identificou que 86% das organizações sofreram ao menos uma violação de segurança nos últimos 12 meses. Em mais da metade dos casos (52%), os prejuízos superaram US$ 1 milhão por incidente, percentual superior aos 38% registrados em 2021.

Segundo a Fortinet, os dados reforçam que a falta de profissionais qualificados continua impactando diretamente a capacidade das empresas de prevenir e responder a ataques.

Além dos impactos financeiros, metade dos entrevistados afirmou que executivos ou membros do conselho sofreram algum tipo de penalidade ou responsabilização após incidentes cibernéticos.

IA amplia desafios para equipes de segurança

O estudo aponta que a adoção acelerada da inteligência artificial está criando uma nova camada de desafios para as áreas de segurança.

Embora 91% das organizações já utilizem ou estejam testando ferramentas de cibersegurança baseadas em IA, apenas metade dos líderes acredita que seus conselhos de administração compreendem plenamente os riscos associados ao uso da tecnologia.

A preocupação não é apenas defensiva. Segundo a pesquisa, 44% dos entrevistados apontam ataques impulsionados por IA entre suas principais preocupações atuais.

Ao mesmo tempo, 84% afirmam que as soluções de segurança baseadas em inteligência artificial já ajudam as equipes de TI e segurança a operar com mais eficiência.

Nova lacuna de competências surge com a IA

A pesquisa sugere que a inteligência artificial está criando uma nova demanda por especialização dentro das equipes de segurança.

Para 63% dos entrevistados, as organizações precisarão ampliar funções relacionadas à governança e supervisão de IA nos próximos três anos. Além disso, 60% afirmam que o maior desafio de contratação atualmente é encontrar profissionais de segurança com experiência específica em inteligência artificial.

As empresas também apontam a necessidade de novas competências ligadas ao desenvolvimento de modelos de IA (55%), supervisão de ferramentas inteligentes (54%) e automação de processos de segurança (52%).

Empresas ampliam investimentos em capacitação

Diante da dificuldade de contratação, as organizações estão reforçando programas de treinamento e certificação.

Segundo o relatório, 92% das empresas afirmam estar dispostas a financiar certificações para seus colaboradores, percentual significativamente superior aos 73% registrados na edição anterior da pesquisa.

Além disso, 92% utilizam programas de estágio, aprendizagem e parcerias para atrair novos talentos, enquanto 71% adotam metas formais para ampliar a diversidade dos perfis profissionais recrutados.

A pesquisa também mostra que 92% das organizações pretendem investir em treinamentos ou certificações relacionados à aplicação da inteligência artificial em segurança cibernética nos próximos 12 meses.

Realizado com mais de 2.750 executivos de TI e segurança de 32 países, o estudo reforça que a combinação entre escassez de talentos, aumento da sofisticação das ameaças e rápida adoção da inteligência artificial está ampliando a pressão sobre as equipes de cibersegurança e exigindo novas estratégias de formação e retenção de profissionais.

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