Data Center

Energia, fibra e cabos submarinos definirão competitividade do Brasil na corrida da IA

A capacidade do Brasil de se tornar um dos principais polos globais de infraestrutura para inteligência artificial dependerá da expansão coordenada das redes de energia e telecomunicações, aliada a um ambiente regulatório mais previsível. Essa é a principal conclusão do estudo “Brasil como Hub de Infraestrutura Digital”, elaborado pela FGV Projetos, que analisa os desafios e oportunidades para o país atrair investimentos em data centers voltados à IA.

CONTEÚDO RELACIONADO – Gartner prevê alta de 26% no consumo de energia de data centers

Segundo o levantamento, a inteligência artificial está redefinindo a competição internacional não apenas pelo desenvolvimento de modelos e aplicações, mas pela capacidade de oferecer infraestrutura física para suportar o processamento massivo de dados. Nesse cenário, data centers, energia elétrica, redes de fibra óptica, cabos submarinos e conectividade internacional passam a ser ativos estratégicos para a competitividade econômica e a soberania digital dos países.

O estudo destaca que o Brasil reúne vantagens importantes para ocupar esse espaço. Entre elas estão a matriz elétrica predominantemente renovável, a posição geográfica favorável para conexão entre continentes, a ampla malha de fibra óptica e a presença de diversos cabos submarinos que conectam o país aos principais mercados internacionais. No entanto, transformar esses ativos em uma vantagem competitiva exigirá planejamento integrado entre políticas de infraestrutura, energia e conectividade.

Energia passa a ser fator decisivo

Entre os quatro eixos analisados pela FGV – tecnológico, econômico, energético e regulatório – a infraestrutura elétrica aparece como um dos principais condicionantes para a expansão dos data centers de inteligência artificial.

O relatório observa que essas instalações possuem consumo energético muito superior ao dos data centers tradicionais em razão da utilização intensiva de GPUs e outros aceleradores computacionais. Para atender essa demanda, será necessário ampliar a capacidade de geração, transmissão e distribuição de energia, além de reduzir o tempo de conexão dos empreendimentos à rede elétrica.

A pesquisa recomenda tornar o acesso à infraestrutura elétrica mais rápido, previsível e seguro, com reforço das redes de transmissão, expansão de subestações e revisão de mecanismos regulatórios considerados entraves para novos investimentos. Também sugere ampliar alternativas como autoprodução de energia, contratos de longo prazo e maior flexibilidade para consumidores eletrointensivos.

Outro diferencial apontado pela FGV é a matriz elétrica brasileira, composta majoritariamente por fontes renováveis. Segundo o estudo, essa característica poderá representar uma vantagem competitiva importante diante da crescente demanda mundial por infraestrutura digital de baixa emissão de carbono, desde que seja acompanhada por expansão da oferta e garantia de fornecimento contínuo para operações críticas.

Fibra óptica e cabos submarinos ganham papel estratégico

O estudo também reforça que a competitividade do Brasil dependerá da evolução da infraestrutura de telecomunicações.

Para operar aplicações de inteligência artificial em larga escala, os data centers necessitam de redes de fibra óptica de alta capacidade, baixa latência e elevada redundância, integradas aos cabos submarinos internacionais responsáveis pelo tráfego global de dados. Segundo a FGV, conectividade e energia tornam-se elementos inseparáveis da infraestrutura digital.

Embora o Brasil já disponha de uma extensa malha de fibra óptica e de importantes conexões internacionais por cabos submarinos, o relatório observa que ainda existem diferenças regionais em termos de latência, redundância e densidade das redes, fatores que podem limitar a distribuição geográfica de novos empreendimentos.

A pesquisa também destaca o impacto econômico dessa infraestrutura. Citando estudos internacionais, a FGV observa que investimentos em cabos submarinos produzem retornos significativamente superiores aos recursos empregados e impulsionam a economia digital ao ampliar a capacidade de transmissão internacional de dados.

Além das redes de fibra e dos cabos submarinos, a implantação de data centers demanda infraestrutura complementar composta por equipamentos ópticos, switches, roteadores, sistemas de refrigeração e redes internas de alta velocidade capazes de suportar cargas computacionais voltadas ao treinamento e à operação de modelos de inteligência artificial.

Data centers movimentam bilhões em investimentos

Como referência, o estudo simula a implantação de um data center de 100 MW voltado para inteligência artificial.

Segundo a FGV, um empreendimento desse porte exige investimento total próximo de R$ 25 bilhões, dos quais cerca de R$ 5 bilhões correspondem à infraestrutura construída pelo operador e aproximadamente R$ 20 bilhões destinam-se à aquisição de equipamentos computacionais, como servidores, GPUs e sistemas de armazenamento.

Considerando apenas os investimentos realizados pelo operador, cerca de R$ 3,6 bilhões permanecem na economia brasileira, gerando impacto estimado de R$ 1,5 bilhão no PIB, R$ 590 milhões em renda do trabalho e aproximadamente 12,6 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de implantação.

Coordenação entre infraestrutura e regulação

Além dos investimentos em energia e conectividade, o estudo conclui que o país precisará aprimorar seu ambiente regulatório para competir com mercados que já disputam projetos globais de infraestrutura digital.

A FGV aponta que empreendedores ainda enfrentam processos complexos envolvendo licenciamento ambiental, conexão ao sistema elétrico, tributação e diferentes órgãos reguladores. Para a instituição, a consolidação do Brasil como um hub global de infraestrutura para inteligência artificial dependerá da coordenação entre políticas industriais, energéticas e digitais, permitindo que data centers, redes de telecomunicações e expansão do sistema elétrico sejam planejados de forma integrada.

Participe das comunidades IPNews no InstagramFacebookLinkedIn, WhatsApp

Newsletter

Inscreva-se para receber nossa newsletter semanal
com as principais notícias em primeira mão.


    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *