A inteligência artificial já faz parte da rotina corporativa, mas seu avanço acelerado tem criado um novo desafio para as empresas: controlar o uso da tecnologia e proteger informações estratégicas. Levantamentos da McKinsey mostram que 88% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma área de negócios, enquanto o relatório Future of Professionals 2026, da Thomson Reuters, revela que 38% dos profissionais brasileiros recorrem a ferramentas de IA sem autorização da empresa. Outros 39,1% afirmam não ter acesso a soluções corporativas disponibilizadas pelo empregador.
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Para Igor Moura, COO da Under Protection, empresa brasileira especializada em cibersegurança e continuidade operacional, o debate sobre adoção da inteligência artificial já foi superado. O foco agora deve ser a criação de uma estrutura de governança capaz de garantir ganhos de produtividade sem comprometer a segurança e a conformidade.
Segundo o executivo, muitas organizações ainda discutem se devem ou não utilizar IA, quando, na prática, seus colaboradores já incorporaram a tecnologia ao dia a dia. “A questão passou a ser quem governa essa tecnologia, quais dados ela pode acessar, quais processos podem ser automatizados e como controlar os riscos decorrentes dessas decisões”, afirma.
Shadow AI amplia exposição de dados
Um dos principais riscos apontados por Moura é o crescimento do chamado Shadow AI, prática em que funcionários utilizam plataformas públicas de inteligência artificial sem aprovação da empresa. Embora a motivação normalmente seja aumentar a produtividade, o uso dessas ferramentas pode expor documentos confidenciais, contratos, códigos-fonte, dados financeiros e informações de clientes a ambientes sem controle corporativo.
“O problema não está apenas na ferramenta utilizada, mas na falta de critérios. Quando cada colaborador decide individualmente qual IA usar e quais informações compartilhar, a empresa perde visibilidade sobre um de seus ativos mais valiosos: os próprios dados”, destaca.
Tecnologia influencia retenção de talentos
O levantamento da Thomson Reuters também indica que a estratégia de IA passou a impactar a atração e retenção de profissionais. Entre os brasileiros entrevistados, 66% afirmam que o acesso à tecnologia influencia a decisão de aceitar ou recusar uma proposta de emprego. Além disso, quase 20% pretendem deixar a empresa nos próximos 12 meses por perceberem que a organização não acompanha o potencial da inteligência artificial.
Na avaliação de Moura, esse cenário exige uma atuação mais estruturada da liderança. “Não basta disponibilizar ferramentas. É necessário estabelecer políticas claras, definir responsabilidades, controlar níveis de acesso, criar critérios para adoção de novos modelos e manter monitoramento contínuo. A governança garante que inovação e controle avancem juntos”, diz.
IA também pesa na relação com clientes
A adoção da inteligência artificial também passou a influenciar a competitividade das empresas. Segundo o estudo, 78% dos clientes em nível global consideram importante que seus fornecedores utilizem IA para melhorar a qualidade dos serviços, mas apenas 6% percebem essa evolução de forma consistente. Além disso, quase um terço afirma que pretende reavaliar fornecedores ao longo dos próximos 12 meses.
Para o COO da Under Protection, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de eficiência operacional e passou a impactar diretamente reputação, confiança e capacidade competitiva das organizações.
“Quanto mais a IA participa de processos críticos, maior precisa ser a maturidade da empresa para administrá-la. A vantagem competitiva não estará em utilizar mais inteligência artificial, mas em fazer isso com controle, previsibilidade e resiliência”, conclui.
Com a IA assumindo funções cada vez mais estratégicas, especialistas avaliam que sua governança tende a ganhar o mesmo nível de prioridade de áreas como segurança da informação, compliance e gestão de riscos. Nesse cenário, definir políticas de uso, monitorar continuamente os ambientes e integrar tecnologia, processos e pessoas passa a ser requisito para sustentar inovação e crescimento com segurança.
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