*Por Matheus Alagia
Na Ubots, paramos de contratar engenheiros pelo currículo técnico. Não porque os critérios ficaram menos rigorosos, mas porque percebemos que a pergunta errada produz o candidato errado.
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Durante anos, o mercado de tecnologia valorizou a especialização profunda: o profissional de sucesso era aquele que dominava uma linguagem ou framework com maestria cirúrgica. Hoje, a IA Generativa assumiu exatamente essa camada. Ela escreve código, encontra bugs, traduz linguagens e documenta sistemas em segundos. O que antes levava dias, agora leva um prompt.
Isso não é o fim do profissional de tecnologia. É o fim de um modelo de profissional de tecnologia.
O problema é que o mercado ainda não entendeu isso. Dados da Brasscom mostram que, entre 2019 e 2024, o setor demandou 665 mil profissionais e formou apenas 464 mil. Esse déficit não é acidental: inovações como IA, automação e cloud chegam ao mercado antes que existam profissionais plenamente treinados para lidar com elas. As empresas correm para implementar o novo com equipes que ainda estão aprendendo o anterior.
A escassez de talento técnico é real, mas a solução não está em formar mais especialistas do mesmo tipo. Está em reconhecer que um novo perfil profissional já está emergindo.
Chamo esse perfil de generalista criativo. Não é um termo elogioso para quem sabe um pouco de tudo e domina nada. É uma categoria genuinamente nova: o profissional que usa a IA como parceira estratégica para resolver problemas de negócio de ponta a ponta. Ele não quer apenas codificar uma solução, quer entender a dor real do cliente, traduzir necessidade em estratégia, e desenhar a arquitetura por trás de um produto com fluência em negócios, experiência do usuário e psicologia de consumo.
A tecnologia, para esse profissional, nunca é o fim. É o meio.
Esse movimento não é exclusivo do setor de tech. O relatório The Future of Jobs do Fórum Econômico Mundial projeta que cerca de 170 milhões de empregos serão criados e 92 milhões extintos até 2030. A pergunta não é se haverá transformação – é quem estará preparado para ela.
A IA Generativa não está encolhendo o espaço dos profissionais de tecnologia. Está elevando a barra. E a verdade desconfortável é esta: a IA não vai substituir os profissionais de tecnologia, mas os profissionais que dominam a IA certamente vão substituir os que se limitam a escrever código. *Matheus Alagia é cofundador e CTO da Ubots.
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