Para o presidente da entidade, muitos provedores não conseguem manter redundância do link porque existe apenas uma operadora em suas áreas de atuação.
As panes nas redes das operadoras são constantes e, pelo menos uma vez por semana, causam interrupções no acesso à Internet em diversas cidades. A avaliação é da Rede Global Info, entidade que reúne mais de 750 provedores de todo o país. Recentemente, no dia 2 de julho, uma falha no roteamento de dados da Telefônica causou problemas para quem dependia do serviço de banda larga da empresa, o Speedy, incluindo órgãos públicos que prestam serviços essenciais.
De acordo com o presidente da Rede Global Info, Jorge de La Rocque, panes e outros prejuízos enfrentados pelos usuários serão eliminados somente após o cumprimento de uma política de pró-competitividade que diversifique a atuação das operadoras e atue contra a exclusividade de mercado. "Nossos provedores, na maioria dos casos, não conseguem manter a redundância do link porque não têm viabilidade de contrato com mais de uma operadora em suas regiões de atuação", afirma o dirigente. Além desse prejuízo à qualidade do serviço, ele avalia que a existência de apenas uma operadora em determinados mercados mantém os provedores à mercê da política de preços.
"Em localidades onde há viabilidade de atendimento por mais de uma concessionária, nossos associados contratam com as operadoras disponíveis para garantir a continuidade de suas atividades em caso de panes. Onde isso não é possível, na maioria dos casos, infelizmente, eles são prejudicados por não poderem atender os usuários, independente de não serem responsáveis pela paralisação, quando as falhas ocorrem", avalia o presidente. Para ele, o episódio envolvendo a Telefônica serviu como um alerta para a situação do acesso no país e deverá contribuir para que o governo debata com as entidades representativas novas regras que possam garantir a desagregação das redes e a garantia da busca de redundância no backbone. Durante o episódio, a entidade contabilizou 116 provedores que tiveram suas atividades afetadas, o que prejudicou 200 mil assinantes em 120 cidades do estado de São Paulo.
Para de La Rocque, a desagregação de redes seria uma saída para construir diversas redes próprias, compartilhando a mesma estrutura, mas independentes na gerência e no backbone. Segundo ele, estruturas menores são mais fáceis de gerenciar e exigem menos tempo para diagnóstico e reparo. A Rede Global Info vem mantendo negociações com autoridades públicas, parlamentares e o Ministério das Comunicações para que o formato de provimento de acesso à Internet no país seja alterado e deixe de ser o que a entidade considera "um quadro nocivo de monopólio".

