Bens duráveis voltaram a impulsionar o setor, que retomou expansão de dois dígitos na comparação anual; de janeiro a maio, alta foi de 11,5%.
Números divulgados pelo IBGE mostram que as vendas do varejo brasileiro tiveram em maio um crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período do ano passado, levando o acumulado de 2010 a uma expansão de 11,5% sobre os primeiros cinco meses de 2009.
“Mais um mês de crescimento de dois dígitos nas vendas, refletindo a melhoria das condições macroeconômicas do país, com maior volume de crédito; juros mais baixos; aumento da renda da população; confiança do consumidor em alta; e também fortemente influenciado pela proximidade da Copa”, comenta Luiz Goes, sócio-sênior e diretor da GS&MD – Gouvêa de Souza, consultoria especializada em varejo e distribuição. “É importante ressaltar que a alta da Selic em 0,75 ponto percentual no fim de abril influenciou muito pouco o desempenho do varejo em maio”, acrescenta.
O resultado do varejo brasileiro ficou, mais uma vez, acima do desempenho das principais economias do mundo. Nos Estados Unidos, as vendas do varejo cresceram 6,5% na comparação com maio de 2009, enquanto nos países da Zona do Euro houve alta de 0,6% em relação ao ano passado.
Em maio, os segmentos mais dependentes de crédito tiveram alta mais acentuada nas vendas. Esse movimento, na opinião do especialista da GS&MD, decorre de uma clara melhora no cenário macroeconômico nacional. “Setores como veículos, móveis / eletroeletrônicos e materiais de construção tiveram um baixo desempenho no início de 2009, por conta do reflexo da crise financeira global no Brasil. Isso vem favorecendo o crescimento mais acelerado desses segmentos, mesmo com o fim da isenção de IPI para várias categorias”, comenta o consultor.
Dentre os setores mais dependentes de crédito, o destaque ficou para Equipamentos e Materiais para Escritório, Informática e Comunicação, com alta de 28,7% na comparação anual. “Tanto em informática quanto na telefonia celular, tem havido um forte avanço da base de usuários, o que, aliado à renovação do mix pela compra de produtos mais avançados tecnologicamente, e também devido ao Dia das Mães, explica o grande crescimento”, analisa Luiz Goes.
Móveis e Eletrodomésticos tiveram uma expansão de 19,5%. “Se por um lado houve o fim do IPI reduzido, por outro a Copa do Mundo impulsionou a venda de aparelhos de TV e manteve o setor muito aquecido”, afirma Goes. Material de Construção apresentou avanço de 19,9%, no sétimo mês consecutivo de crescimento, consolidando uma recuperação depois de um 2009 bastante ruim. “O setor ainda mantém isenção de IPI para diversas categorias de produtos, o que também amplia o acesso a compras com melhor preço e estimula o consumo”, explica o consultor.
O segmento de Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, o de maior participação no varejo, teve um crescimento de 8,2%, um pouco abaixo da média do mercado, mas ainda assim respondeu por 38% da taxa geral de expansão do varejo brasileiro em maio.
A GS&MD – Gouvêa de Souza mantém para 2010 a projeção de um cenário muito positivo para o varejo brasileiro. “A alta dos juros e a própria base de comparação mais forte farão com que o varejo cresça mais moderadamente nos próximos meses. Ainda assim, mais uma vez o setor terá uma expansão por volta de 10%, bem acima do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, com destaque para os bens duráveis”, finaliza Goes.

