O Portal IP News conversou com Reinaldo Roveri, Enterprise Research Manager da IDC Brasilo, sobre o impacto da compra da 3Com pela HP, as mudanças previstas para as duas empresas e como o mercado deve reagir.
Segundo o representante do IDC, a compra da 3Com pela HP tem como estratégia principal os segmentos de data center e de rede, ambientes aos quais a HP quer se apresentar como provedora completa.
“Ao invés de investir tempo e dinheiro no desenvolvimento dos produtos, como switches e routers, a HP resolveu se consolidar com mais rapidez no mercado por meio da compra da 3Com”, diz Roveri. Para ele, a empresa já estava se preparando para realizar essa ação e, “por enquanto, as concorrentes deverão ficar na mesma, mas deverão reformular suas estratégias de mercado”.
Desde que entrou no segmento de rede, a HP enfrentou grandes dificuldades em se firmar no mercado chinês. Por causa desse fato, perguntamos ao representante da IDC se a compra da 3Com poderia ser um dos principais motivos, já que os produtos são fabricados na China. Nesse caso, Roveri avalia que esse não é o foco principal da empresa e “a aquisição proporcionou apenas mais um benefício de entrada no mercado asiático”.
Os produtos da 3Com são fabricados com componentes de padrão industrial, o que facilita a integração com outros fabricantes. Além disso, a política comercial privilegia a venda indireta – revendedores e parceiros. Como essa cultura mercadológica é parecida com a HP, o executivo aponta que, por causa disso, o interesse foi maior.
“Outra vantagem para a HP é que boa parte do que é fabricado pela 3Com não está vinculado à OEM, o que se traduz em uma nova base de produtos, sem relação a outras empresas, igual ao processo de produção da Cisco”, avalia Roveri.
Esforço de vendas
Em relação aos canais de negócio, a aquisição proporcionará aos representantes um leque de produtos maior . "Conforme aponta o especialista, é um mercado bastante complementar e as empresas deverão investir em capacitação de seus revendedores."
Como a Cisco passa a ser uma das principais concorrentes, Roveri acredita que a parceria entre a HP e a Cisco deverá desaparecer. “Quem dita as regras é o mercado e muitas empresas buscam frequentemente a convergência. Por isso, a aliança não irá mudar”.
O executivo enfatiza que com a compra, a HP terá em suas mãos, além da produção dos equipamentos de rede, um dos principais segmentos: os dispositivos de segurança para rede. “Uma das principais preocupações dos clientes de cloud computing é com a segurança. A compradora se beneficiará nesse segmento, porque a 3Com tem experiência”.
Com a integração, a nova empresa deverá chegar a uma participação de 7% no mercado de TI. “Como cada empresa possui 3% da cota no mercado, imagino que com a junção das duas, essa participação no comércio de TI será mais expressiva”, aponta o especialista.
Reinaldo Roveri acredita que a conclusão da compra será tranqüila, diferentemente do que aconteceu quando a HP comprou a EDS. “Vai ser mais fácil, porque a cultura das duas empresas é parecida, o overlap entre elas também é baixo. Acredito que a 3Com seja complementar à HP”.

