Integração da CSC com a área de serviços da HPE vai criar gigante de US$ 26 bilhões. Nesta entrevista, Omar Rodrigues, diretor-
A nomeação do diretor-presidente da CSC para a América Latina, Omar Rodrigues, é um dos passos dados pela companhia desde 2012 para chegar ao atual processo de integração com a área de serviços da HPE (HP Enterprise Service), cuja expectativa é que seja concluído até março de 2017. A data foi propositalmente definida para que o conglomerado possa ingressar no novo ano fiscal, em 03 de abril de 2017, sob o novo modelo.
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O novo gigante nasce com uma receita de US$ 26 bilhões – US$ 18 bilhões da HPE Serviços e US$ 8 bilhões da CSC. Segundo Rodrigues, foi criado um escritório de integração e grupos de trabalho para entender o que há de melhor nas duas empresas e definir o futuro modelo operacional da organização, desde o go-to-market de novas soluções, as ofertas que serão mantidas no portfólio, as possíveis integrações de produtos e serviços, e os processos operacionais, como RH e Compras.
“Esses grupos estão operando há pelo menos dois meses. Já solicitamos a autorização junto aos organismos regulatórios e antitrust nas diversas regiões e países e tivemos aprovações na Índia e no dia 20 na Comunidade Europeia”, conta Rodrigues.
Segundo ele, este novo provedor de serviço trará como diferenciais para os clientes a junção de uma orientação forte de conhecimento de indústria, da CSC, com uma capacidade robusta de entrega de serviço, da HPE (antiga EDS). “No fundo, este grupo de serviços, que era a EDS, está fazendo o spin-off da HPE e se integrando à CSC”, explica Rodrigues.
Acompanhe abaixo os principais trechos da entrevista concedida no escritório da CSC, em São Paulo, sobre os desafio de um provedor de serviços de TI no atual cenário macroeconômico brasileiro; a oferta de serviços de TI no Brasil e na América Latina; e o processo de transformação digital que está em curso nas organizações em todo o mundo.
IPNEWS – Tendo em vista o atual cenário econômico brasileiro e as tendências tecnológicas, qual é a estratégia da CSC?
Omar Rodrigues – O setor de TI tem oportunidade quando há mudanças. Com alterações nos cenários político e econômico, a estratégia comercial das empresas precisa ser adaptada, seja em eficiência operacional, com redução de custos e automação de processos, ou na expansão dos negócios. Com o cenário macroeconômico de hoje, a primeira opção se sobressai à segunda. Vemos nos nossos clientes iniciativas que buscam essa eficiência operacional, que começam a recorrer à TI. O que cria oportunidades para a nossa área.
O nosso posicionamento tem sido ajudar nossos clientes a passar por essa fase do mercado brasileiro através de uma melhor utilização das tecnologias de nova geração, como mobilidade, computação em nuvem, automação da gestão de ativos de TI (que reduzem o custo operacional na infraestrutura tecnológica de suporte ao negócio). A visão é disponibilizar aquilo que os usuários das empresas demandam. Se o funcionário está em constante deslocamento, precisamos oferecer o serviço através de um canal móvel para ele. Cada uma dessas opções norteia como encaramos a noção do workplace.
IPNEWS – Existe uma defesa no mercado que exige dos provedores tecnológicos auxílio na hora de reduzir custos dos clientes para viabilizar novos projetos. Como você se posiciona neste assunto?
OR – Começamos a nos posicionar nesse universo há dois anos quando encaramos uma arquitetura empresarial na qual as empresas são habilitadas como serviço. Na realidade de hoje, não existe uma bala de prata para resolver a arquitetura de informação de uma corporação. Mas nessa visão de serviço, estão disponíveis os pacotes tradicionais de serviço (ERPs, CRMs), os pacotes complementares as a service, além de uma tendência de infraestrutura como utility, pagando pelo que consome, e um grande processo de orquestração para disponibilizar a infraestrutura para workload de processamento que se precisa ter dentro de uma empresa de uma forma otimizada. Essa visão permite que mudemos a quebra de orçamento da TI nas corporações.
IPNEWS – Até onde vai a CSC hoje? Vocês são um parceiro de nuvem ou há restrição?
OM – Somos uma empresa agnóstica. A CSC não fabrica nenhum produto de hardware e tem algumas soluções de softwares, mas são para core de negócios para algumas empresas. O lema da companhia é “Do it together”, ou seja, implementar nossas soluções junto com nosso ecossistema de parceiros.
Quando olhamos para a nuvem, por exemplo, podemos alavancar um modelo híbrido com nosso hardware que pode ser colocado em data centers meus ou do cliente e cobradas como serviço, no caso da CSC BizCloud. Também oferecemos soluções de parceiros como Amazon Web Services (AWS) e Microsoft Azure.
IPNEWS – Qual o papel da CSC quando se pensa no conceito de transformação digital?
OM – A tecnologia deu a possibilidade para que novas empresas surgissem e causassem disrupturas no mercado, desafiando nosso cliente. Nessa visão, o nosso papel é ajudar nossos clientes a descobrir qual a melhor forma de traçar a jornada de transformação digital e se posicionar para um mundo em constante mudança. Nesse mercado digital, é mais fácil abraçar esse modelo de negócios do que encará-lo com a estrutura tradicional.
IPNEWS – Vocês atuam nessa consultoria?
OM – Sim, porque já temos feito isso dentro de casa. Fazendo um paralelo, quando falamos das novas tecnologias, estamos nos referindo a nuvem, mobilidade. Se pensarmos na CSC como um fornecedor outsourcing de uma tecnologia tradicional, no momento que trabalho com nuvem, eu mesmo estou canibalizando meu modelo de TI tradicional. Mas se eu não abraçar essa mudança, eu vou acabar saindo do mercado.
Há dois anos entramos no processo de transformação e temos a expectativa de que, ao fim do nosso atual ano fiscal, em março de 2017, comecemos a ter um equilíbrio entre a perda de clientes que não estão comprando tanto do modelo tradicional versus o crescimento que temos nas novas tecnologias.
IPNEWS – Essa decisão foi uma transição natural ou houve um solavanco provocado pelo mercado?
OM – Foi uma transição natural. A CSC passou por um programa de transformação iniciado em agosto de 2012, que procurava repensar a empresa e a abordagem de mercado para realmente entender qual era a otimização necessária no portfólio de ofertas, que parceiros são os principais para esse novo mundo, como é que vamos fazer o melhor atendimento para o cliente e como fazer o dever de casa, enxugar custos.
Os frutos dessa iniciativa já estão sendo colhidos, vide o preço da ação da CSC, que pulou de US$ 20, em agosto de 2012, para US$ 60, em novembro de 2015, sendo reajustada para US$ 30 no mesmo mês devido a divisão das operações com o governo norte-americano. E, em maio deste ano, após uma série de aquisições que fizemos para reforçar o posicionamento em novas tecnologias e o anúncio de parceria com a HPE, a ação passou para US$ 50, valor que se mantém.
Reposicionamento foi uma ação liderada pelo CEO global da corporação, Mike Lawrie, e ele está mantendo esse ritmo forte com a visão de que a mudança veio e não dá para segurá-la; o certo é abraçar o movimento.
IPNEWS – Você mencionou bancos, seguros e saúde. São essas as verticais estratégicas para a CSC?
OM – Esses são segmentos em que temos soluções próprias, de core de negócios. Aqui no Brasil, somos mais fortes no setor de energia e manufatura. Estamos nos posicionando para alavancar a marca nas outras três indústrias da pergunta.
IPNEWS – Pensando em manufatura, a Internet das Coisas é uma tendência nesse setor, e quando se olha para a indústria brasileira, ela está muito defasada na modernização do maquinário. Como a tecnologia pode ajudar nesse salto?
OM – A tecnologia começa a ajudar na exploração da capacidade produtiva de seus ativos. O que significa isso? Colocar sensores que permitam ter maior visibilidade dos equipamentos e que possam predizer como utiliza-los melhor, já pensando no ciclo de vida, e aumentar o nível de produtividade sem precisar fazer grandes investimentos.
IPNEWS – Qual a maturidade do mercado brasileiro nessa área?
OM – Depende muito do setor da economia. Na realidade, alguns setores que acabam fazendo investimentos periódicos em substituição de maquinário, já recebem os sensores embutidos ou com a opção de obtê-los. Óbvio que na indústria e outros setores o processo ainda é mais lento do que gostaríamos que fosse para a realidade brasileira, acaba vendo que temos a base tecnológica para implantar a IoT, o que precisa agora é começar a coletar informações e criar uma base de conhecimento para que os novos objetivos sejam alcançados.
IPNEWS – O BNDES encomendou um amplo estudo sobre IoT, e a visão que se tem é que há uma intenção de criar uma política pública sobre o tema. Você acha que o Brasil pode vir a despontar nessa área?
OM – Essa resposta tem que ser vista com duas óticas. Do lado do profissional de tecnologia, temos gente criativa e com competência para criar soluções inovadoras. O que falta é uma política pública efetiva que facilite o investimento em soluções de melhora da produtividade nacional. A dificuldade que eu vejo é de os agentes do governo efetivamente definirem uma política perene de incentivo à inovação e ao desenvolvimento tecnológico.
*Colaborou João Monteiro.

