Cloud Computing

O data center não será mais o “centro dos dados”, afirma especialista do Gartner

Apesar da tradução literal de data center ser central de dados, ele não será mais o centro de processamento de dados como conhecemos hoje. Dados do Gartner apontam que o mercado brasileiro de hardware se encontra praticamente estável, passando de US$ 3,3 bilhões em 2019 para US$ 3,4 bilhões em 2023. Já o software e os serviços de TI crescem bem mais no mesmo período: o primeiro passa de US$ 8,2 bilhões para US$ 12 bilhões, enquanto o outro de US$ 25,5 bilhões para US$ 32,2 bilhões. Juntando com pesquisas que apontam a intenção das empresas brasileiras deixarem o data center local para apostar na nuvem, os dados levam a uma interrogação sobre o que se reserva para este mercado tradicional.

Empresas brasileiras querem reduzir uso de data center e apostar mais em nuvens pública e híbrida

Henrique Cecci, diretor de Pesquisa do Gartner, no entanto, faz questão de botar panos quentes na questão. “O futuro do data center será todo lugar”, garante. Seja em computação na nuvem, hosting ou colocation, a necessidade de processamento de dados vai continuar. Aliás, com a Edge Computing, mais da metade dos dados não serão processados em data centers ou mesmo na nuvem até 2022, de acordo com o Gartner.

Explicando o conceito de computação de borda, tradução literal de Edge Computing, é nada mais que processar dados o mais perto possível de onde são gerados. Isso será necessário quando se fala em dispositivos de Internet das Coisas (IoT) de operação mais crítica e que exigem a menor latência de rede possível. “Um carro autônomo, por exemplo, teria que ter latência muito baixa para processar seus dados na nuvem, o que se torna arriscado já que envolve vidas”, explica Cecci.

Por isso, os carros “que dirigem sozinhos” precisarão contar boas “CPUs” para operarem, o que por si só já é um ótimo mercado para os fornecedores de hardware. Além disso, as próprias empresas de computação em nuvem vão precisar investir mais em capacidade e atualizar constantemente sua infraestrutura.

“Há mais opções para as empresas, principalmente com a nuvem, mas não significa que o ambiente local vai desaparecer. Provavelmente vai conviver com o resto”, complementa Cecci, que diz que existe uma proposta de valor no on premises, como casos onde requerimento de latência é baixo ou empresas que preferem investir em CAPEX ao invés de ficar na mão de provedores de serviço. “A ideia é explorar o que é mais adequado para determinado tipo de serviço, para aquela corporação naquele momento, considerando os possíveis fatores. Um modelo híbrido seria a resposta mais simples”, conclui.

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