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Confronto entre Irã e EUA pode evoluir para guerra cibernética, avaliam especialistas

O desdobramento dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, decorrente do ataque no qual morreu o general iraniano Qassem Soleimani, acendeu um alerta no setor de tecnologia. É possível que os dois países evoluam para uma guerra cibernética, desferindo ataques no meio digital que podem impactar até mesmo o setor financeiro. Um dos pontos de atenção são os impactos dos riscos cibernéticos nas operações das multinacionais brasileiras que têm relações comerciais com as duas nações.

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O governo brasileiro também pode se tornar alvo, assim como as infraestruturas críticas que consequentemente teriam grande consequências macroeconômicas diante de um ataque de hacker. “Os efeitos podem ser desde ataques à infraestrutura (geração e distribuição de energia, por exemplo) que consequentemente trariam impactos generalizados nas indústrias e no dia a dia da população”, afirma Marta Schuh, líder de Cyber da Marsh Brasil.

Já Bruno Prado, CEO da UPX, empresa de tecnologia focada em segurança cibernética, não vê muitos riscos em uma possível guerra cibernética. Segundo ele, os alvos do Irã deverão se concentrar em ativos militares, de acordo com as manifestações dos líderes do país. “São alvos específicos e que não devem afetar a bolsa ou o preço do petróleo”, diz ele.

Levando em conta ataques cibernéticos realizados pelos dois países no ano passado, apenas equipamentos militares foram atingidos. Em junho de 2019, os Estados Unidos desativou computadores militares do Irã, afetando seus lançadores de mísseis. Em resposta, o Irã utilizou malwares wiper para atacar agências de inteligência norte-americanas. O Departamento de Segurança Nacional dos EUA disse, à época, que o ataque também atingiu empresas de infraestrutura, gás e petróleo e o setor financeiro.

No entanto, vai depender da força dos ataques do Irã para a guerra afetar outros países. Prado explica que é provável que agentes iranianos iniciem ataques de negação de serviço (DDoS) para atingir sistemas norte-americanos. “Como o Brasil está no top 3 de países com mais botnets (dispositivos infectados usados para ataques), é possível que uma grande transmissão de dados daqui para os Estados Unidos atrapalhe a rede”, explica.

O especialista destaca que não é possível saber com detalhes os resultados de uma guerra cibernética, pois os Estados Unidos não costuma divulgar relatório. “Só saberemos sobre o que trouxer uma boa imagem para eles”, diz. É possível até mesmo que uma guerra do tipo já esteja em curso, mas empresas privadas ainda não registraram nenhuma anormalidade na rede mundial.

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