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Artigo: O avanço do setor financeiro com a edge computing

*Por Paulo Ceschin

A evolução tecnológica e a transformação digital proporcionaram uma série de mudanças na sociedade e, consequentemente, no universo corporativo. Ficamos mais conectados e buscando serviços muito mais rápidos, escaláveis e com uma entrega direcionada. Estudo recente da União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência das Nações Unidas, apontou que 51% da população mundial têm acesso à internet. São 3,9 bilhões de pessoas interagindo todos os dias, seja pelas redes sociais ou pelos mais variados aplicativos.

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É possível fazer quase tudo online: assistir a vídeos, ouvir música, ler, fazer diversos tipos de compra, acompanhar as movimentações bancárias e realizar pagamentos. A vertical financeira, aliás, foi uma das que mais se beneficiou com a explosão da internet e, principalmente, do mobile. O boom das conexões permitiu o advento das fintechs e as startups passaram a disputar espaço de igual para igual com grandes instituições que, para manter a competição acirrada, investiram alto na tecnologia. Segundo a Pesquisa de Tecnologia Bancária 2019 da Febraban, em 2018 houve um crescimento de 3% para a tecnologia da informação dos bancos, o que soma quase R$ 20 milhões. Metade desse valor foi destinado a software e serviços, incluindo tecnologias como IoT, inteligência artificial, robotização e cloud.

Uma nova era

Com uma demanda cada vez maior por performance no processamento das informações em várias instituições, principalmente as financeiras, soluções baseadas em arquitetura edge computing – ou computação de borda em português – surgiram para suprir necessidades que a cloud não conseguia. Entre elas a otimização das transações e nos tempos de respostas das aplicações em milissegundos.

Com a computação de borda, os dados produzidos são processados mais perto de onde são criados – diretamente no celular ou computador, por exemplo – em vez de enviados por longos caminhos até a cloud, o que diminui consideravelmente a latência (tempo de resposta). Por seus benefícios aplicáveis a qualquer organização, a edge computing tem se tornado o centro das atenções na tecnologia. De acordo com a Forrester, 57% dos decisores têm projetos com a computação de borda no seu pipeline para 2020. Somente o mercado de edge cloud, por exemplo, deve aumentar em pelo menos 50%.

Esse crescimento vai muito além das operadoras de telefonia que vão utilizar a borda para o 5G. No caso do setor de finanças, a edge computing tem o potencial de transformar os serviços de maneira nunca vista desde a introdução do caixa eletrônico. Graças a dispositivos móveis, wearables, ativação por voz e inteligência artificial (IA), o ritmo da inovação no setor bancário está se acelerando. Tudo isso apoiado e impulsionado pela computação de borda.

Disrupção de ponta a ponta

Nesse cenário, as soluções baseadas em edge computing encontram uma importante aliada nas tecnologias open source já que, para serem viáveis, exigem uma infraestrutura robusta com conectividade confiável, backup de dados e sistemas de gerenciamento de energia.

Para aproveitar a computação de borda com toda a sua potência, é preciso investir em uma arquitetura de soluções preparada para recebê-la, o que pode ser construído a partir de tecnologias abertas, como containers e kubernetes. Por serem moldáveis e flexíveis, essas ferramentas podem ser utilizadas por qualquer companhia, independente de seu tamanho ou área de atuação.

A partir dessa infraestrutura, as conexões ponta a ponta são facilitadas, reduzindo custos operacionais, ajudando na oferta de uma experiência muito melhor para os clientes e no desenvolvimento de relações e produtos mais direcionados, o que impacta diretamente em aumento de receitas.

Especificamente no setor financeiro, essa equação de ganha a ganha fica muito clara. Um exemplo prático de aplicações inovadoras é a utilização de QR Codes e outros meios digitais para realização de pagamentos. Usar dinheiro ou plástico para pagar a gasolina ou estacionamento parece antiquado quando se pode fazer no smartphone em tempo real. E, em um futuro próximo, com o avanço da edge, esses serviços devem poder ser ativados e concluídos por voz ou IA.

Nas fintechs, onde hoje está instalada a maior demanda da vertical financeira, é preciso trabalhar no rápido processamento de dados por conta das transações e de uma infraestrutura voltada para o mobile, que responde pela quase totalidade de acessos. Por isso, as aplicações dessas companhias precisam ser 100% flexíveis, construídas com containers e orientadas à nuvem.

Assim como a cloud foi a grande atração da última década, a edge é hoje a grande estrela da TI. Segundo estudos do Gartner, a expectativa é que até 2025 75% do total de dados criados pelas empresas serão gerenciados por sistemas baseados nessa arquitetura. Não à toa, a computação de borda será o diferencial competitivo fundamental e elemento decisivo para a sustentabilidade dos negócios.

Para garantir certeza em um mundo conectado, cabe as empresas – pequenas, médias ou grandes – mergulhar de cabeça nesse novo mundo, aproveitar a flexibilidade da edge para aprimorar seus negócios e utilizar as bordas para escalar e conquistar um grande espaço.

*Paulo Ceschin é diretor de vendas para Middle Market da Red Hat Brasil.

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