
Nos últimos meses, o cenário econômico global tem sido marcado por tensões comerciais, especialmente entre os Estados Unidos e a China. A recente política do “tarifaço”, que impõe tarifas elevadas a produtos importados, especialmente da indústria chinesa, tem gerado um impacto significativo nas cadeias de suprimento e na dinâmica do comércio internacional. Para o Brasil, essa situação pode ser encarada não apenas como um desafio, mas como uma excelente oportunidade para redefinir e fortalecer sua política industrial, especialmente no setor de tecnologia e telecomunicações.
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A Lightera, anteriormente conhecida como Furukawa Electric, é um exemplo claro de como empresas brasileiras podem se posicionar no cenário global. Com a holding da Lightera estabelecida no Japão e Foad Shaikhzadeh, um executivo com mais de 40 anos de experiência no grupo, à frente da estratégia, a empresa está se preparando para expandir sua atuação globalmente, com um foco especial na América Latina.
O comprometimento da Lightera com o Brasil é evidente. O país é visto como o centro de competência para sistemas e soluções dentro do grupo, destacando-se pela capacidade de inovação em condições de recursos limitados. Essa experiência pode servir como um modelo para a indústria brasileira, mostrando que a inovação pode florescer mesmo em contextos desafiadores.
Demanda local e proteção à indústria
A experiência da Lightera também destaca a importância de uma demanda local robusta para justificar a produção interna. Atualmente, a demanda por cabos de ultra-capacidade no Brasil é limitada, mas a imposição de tarifas nos Estados Unidos pode mudar esse cenário. Se os produtos brasileiros puderem ser exportados para os EUA com vantagens competitivas, isso pode estimular a produção local e criar uma base sólida para o crescimento da indústria.
Por isto, segundo Foad Shaikhzadeh, Chairman e CEO da companhia, a questão da proteção à indústria nacional é central nesse debate. “A produção brasileira enfrenta uma concorrência predatória, especialmente de produtos importados da China. A necessidade de uma política industrial clara, que não se limite a medidas de anti-dumping, é crucial. O Brasil deve decidir se deseja proteger suas indústrias e desenvolver uma estratégia que favoreça a produção local em vez de apenas depender de importações baratas”, defende.
Data Centers e a transformação do mercado
Um dos setores mais promissores para o Brasil é o de data centers. Com o crescimento dos hyperscales, como Google e Amazon, que dominam o tráfego de dados global, o Brasil precisa se posicionar como um local atrativo para investimentos nesse segmento. Isso envolve não apenas a garantia de energia e infraestrutura estáveis, mas também uma revisão das políticas que regem a produção local de equipamentos e tecnologia.
Foad Shaikhzadeh defende que a revisão do Processo Produtivo Básico (PPB) dos cabos ópticos é uma das medidas que podem impulsionar a indústria de data centers no Brasil, permitindo que a fabricação dos cabos ópticos seja viável economicamente. A Lightera, com sua capacidade de produção avançada em Curitiba, está bem posicionada para liderar essa transformação, mas isso depende de um ambiente regulatório que favoreça a produção local.
O tarifaço nos Estados Unidos pode ser um catalisador para o Brasil repensar sua política industrial. Com empresas como a Lightera mostrando o caminho, o país tem a oportunidade de desenvolver uma base industrial sólida que não apenas atenda à demanda local, mas também se torne competitiva no mercado global. Para isso, é essencial que o Brasil implemente uma política industrial clara, que proteja suas indústrias e promova a inovação, garantindo um futuro próspero em um mundo cada vez mais interconectado.
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