“O streaming será a nova estrada do conteúdo, incluindo o conteúdo de TV”, afirmou André Romanon, country manager da Roku, uma plataforma de streaming para televisão, em painel realizado ontem (26/5) no 13° Encontro Nacional Abrint. A visão é corroborada pelo cofundador e CEO da Watch Brasil, Maurício Almeida, que recentemente se posicionou como um hub de conteúdo.
“O conteúdo é muito importante para o upselling e aumentar o ticket médio dos provedores. Os serviços de streaming são um diferencial que permitem ao provedor deixar de ser commodities e parar de competir em preço”, diz Almeida. “Recebi uma oferta de 600 megas ao invés de 300 megas pelo mesmo preço que pago hoje. Isso mudou minha vida? Não senti diferença. É neste ponto que estamos hoje. O que realmente impacta o consumidor é o conteúdo relevante e é neste ponto que ser um Hub de Conteúdos faz toda a diferença”, afirma o CEO da Watch Brasil.
Além de Maurício Almeida e André Romanon, o painel também contou com a presença de Flávia Guerra, diretora executiva da DirecTV Go, e Maria Cristina Mizumoto, CEO da TV Alphaville, parceiras da Watch Brasil. Todos explicaram sobre a importância do serviço ISP e como eles são uma das principais portas de entrada para quem deseja consumir conteúdo, como filmes, séries, canais de TV e transmissões esportivas.
Flávia contou que os dados da DirecTV GO mostram que o consumo de vídeo online – últimos três anos teve 83% de crescimento e a empresa ainda verifica que na população brasileira, 78% do consumo ainda é TV linear. A executiva concorda que é o consumidor que vai decidir o formato e, neste sentido, a DirecTV Go “pretende unir ainda mais os serviços de streaming e trazer para os clientes um portfólio diverso, customizável e adaptável à realidade do mercado brasileiro. Temos muitos parceiros de streaming e oferecemos TV e streaming tudo num app somente”, afirma.
Mais barato e simples
A CEO da TV Alphaville disse que acredita sim que o streaming será o caminho, por um motivo muito simples. “Os engenheiros aqui podem confirmar, mas tecnicamente, é mais barato fazer a transmissão de conteúdo por streaming. Pelo SEAC, temos regras que exigem a garantia de segurança e outros pontos que tornam o custo muito maior”, explicou Maria Cristina.
Maurício Almeida, da Watch, afirmou que é importantíssimo que os ISPs repensem seu posicionamento e passem a ver com outros olhos o mercado. “Hoje tive três conversas com provedores aqui na feira e todos eles me disseram… poxa, mas eu vou ter que desligar meu headend, eu investi tanto nisso. O fato é que 99% dos provedores tem o apego ao ferro, ao hardware. Quando visitamos os ISPs, eles gostam de nos mostrar o banco de bateria, o container que compraram de equipamentos, o data center que montaram de 400 m² e os 2 milhões investidos no headend. Mas a real é que o ISP não precisa mais de nada disso. E isso é positivo, o custo é infinitamente menor e a agilidade de produto no time to market incomparável”, contextualizou o CEO da Watch Brasil.
Atualmente, os ISPs possuem 47% dos clientes de banda larga do Brasil e ainda há muito espaço para crescer. “O meio de acesso dominante no mercado ainda é o DTH/Parabólica. Temos uma grande oportunidade de converter 9,3 milhões de assinantes através do streaming”, afirmou André Romanon, da Roku. “Não podemos deixar de considerar que a nova geração exige outras opções. Eles assistem mais de um conteúdo ao mesmo tempo, em diferentes devices e temos que estar preparados para atendê-los”, destacou Maria Cristina Mizumoto, da TV Alphaville.
E mais do que isso, a oportunidade está em atingir locais que hoje só estão sendo cobertos por pirataria. “O mercado de TV Pirata hoje é de 10 bilhões de reais. Os ISPs têm a oportunidade de converter alguns destes bilhões para o seu portfólio”, afirmou Maurício Almeida.
A solução indicada pelos painelistas são combos que agregam valor. O consumidor não quer mais ter diversos streamings avulsos, por isso o caminho de ter parceiros que sejam um Hub de Conteúdo é o que faz toda a diferença para os ISPs.
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