Análise Setorial

2014 está mais perto para a hotelaria brasileira

Estima-se que será necessário investir aproximadamente R$ 3,2 bilhões para atender a demanda por leitos apenas na Copa do Mundo, segundo previsões da Ernst & Young.

Com a proximidade da Copa de 2014, cresce o número de investidores pelo mercado hoteleiro no Brasil. A construção, bem como a operacionalização dos hotéis, geram a necessidade de investimentos em estrutura e capital humano. Há um déficit de aproximadamente 62 mil leitos nas cidades que irão atender a Copa do Mundo, com exceção de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

“Vislumbrando uma demanda concreta por conta do déficit de leitos no país, aliado ao crescimento de renda da população brasileira em virtude da estabilidade econômica e financeira, a possibilidade de obter retornos no momento de realização de eventos como a Copa, bem como em período posterior com o estímulo governamental com linhas de crédito baratas, os investidores são atraídos para investir no setor hoteleiro do país”, avalia Murilo Jovtei, da Go4! Consultoria de Negócios.

Consultorias especializadas no setor hoteleiro projetam investimentos de até R$ 40 bilhões nos próximos dez anos para atender a demanda gerada pelo crescimento econômico. O ciclo de investimento no setor é de, aproximadamente, três anos e meio, o que significa que os investimentos realizados hoje estarão começando a operar em 2014.  Haverá, também, grande demanda por leitos nas cidades sedes e arredores.

“Acreditamos que os investimentos serão realizados pensando na demanda futura, após a realização dos mega eventos que estão por vir, completa Jovtei.

Estima-se que será necessário investir aproximadamente R$ 3,2 bilhões para atender a demanda por leitos apenas na Copa do Mundo, segundo previsões da Ernst & Young. Após a realização do evento, espera-se um incremento no número de turistas no país, o que deve continuar gerando demanda para os leitos que forem construídos até 2016. Estima-se que haja 39 projetos de hotéis para se concretizarem ainda este ano. Contudo, além da Copa, os investimentos são realizados também objetivando atender a demanda crescente por conta do aumento da renda da população.

A expectativa é que o setor hoteleiro viva uma grande fase durante a Copa. “Com a vinda de turistas de todo o mundo, certamente será um bom período de faturamento”, declara Paulo Iglesias, diretor do Alta Reggia Plaza Hotel, de Curitiba. A grande movimentação deve profissionalizar também o quadro de funcionários. Segundo Iglesias, a capacitação de pessoal já começou. “Temos vários funcionários que estão fazendo alguns cursos por conta destes eventos que devem movimentar a capital”, explica Iglesias.

Geração de empregos

Para o consultor de negócios Murilo Jovtei, o setor hoteleiro irá gerar negócios em diversas áreas, a começar pelo setor de construção civil. Para a construção dos empreendimentos será necessário mão de obra e insumos, como aço, cimento e materiais de acabamento, o que deve gerar aumento na demanda deste setor. Além disso, quando os empreendimentos estiverem prontos, haverá necessidade de mão de obra qualificada para atender a necessidade dos turistas.

“Haverá um fluxo intenso de pessoas vindas de outros países, o que exigirá mão de obra no mínimo bilíngüe e estimulará o crescimento das escolas de idiomas para a formação dos trabalhadores do setor hoteleiro e também de outros setores relacionados ao atendimento turístico, como os de entretenimento e de bares e restaurantes”, comenta.

O Ministério do Turismo, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), criou o programa Bem Receber Copa – Hotelaria, que espera qualificar 306 mil profissionais do setor turístico tendo em vista a Copa do Mundo de 2014. O programa atuará, em parceria com entidades do setor, na qualificação de profissionais de áreas específicas como hospedagem, serviços de alimentação fora do lar, agentes de viagem e receptivo, locadoras de veículos e companhias aéreas. Desde o final de 2010, profissionais de Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Natal (RN) e Fortaleza (CE) já começaram os cursos de capacitação. As vagas ao redor de outros estados serão distribuídas até 2012.

Garantias

Embora os números de investimentos sejam grandes, não há garantias de que o setor de hotelaria e turismo ganhará, a longo prazo, com a Copa do Mundo e com as Olimpíadas. “Somente saberemos isto no futuro. A história mostra que existem países que souberam aproveitar todos os benefícios que vieram com os investimentos, mas que há outros que não souberam. No Rio de Janeiro, por exemplo, quase nada sobrou dos Jogos Panamericanos de 2007”, opina Iglesias.

 

 

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