Claudio Neiva, diretor de Pesquisas da consultoria, explica diferença entre serviços de clean-pipe e scrubbing e qual pode ser mais aconselhado para as empresas.
O DDoS, também conhecido como ataque distribuídos de negação de serviço, são utilizados para derrubar sites de empresas, causando prejuízos financeiros e à imagem delas. Para isso, os hackers utilizam botnets (computadores e equipamentos infectados ou mal-configurados), que são usados para acessar o mesmo servidor de uma vez, como uma enxurrada, derrubando o site no formato de ataque volumétrico.
O especialista Claudio Neiva, diretor de Pesquisas do Gartner, diz que não há uma solução específica para impedir que isso aconteça. Mas há métodos para reagir aos ataques, como o clean-pipe e o scrubbing, que utilizam análise de dados para identificar da onde parte o acesso e separar o tráfego.
O primeiro é fornecido pelas operadoras de conexão e funciona como uma limpeza do tráfego de dados, separando o ruim (composto por botnets) do bom (o normal). O valor do serviço é agregado ao serviço mensal de Internet e, caso a empresa deseje ter uma boa segurança, é aconselhado a contratação do serviço para cada um dos links de redundância.
Já o scrubbing on demand é fornecido por empresas como Level 3, Akamai e F5 Solutions. Quando um ataque ocorre, o scrubbing center detecta a ação e avisa a empresa, que decide se o tráfego será transferido para um data center separado e limpo por um appliance, assim como no clean-pipe.
A empresa decide se o processo será realizado ou não porque não são todos os ataques que podem derrubar o site da empresa. “Por exemplo, se a empresa conta com capacidade para aguentar 300 GB de tráfego e o ataque gera 200 GB, deixar o ataque continuar será mais em conta, avaliando que o tráfego normal da empresa naquele momento não exceda 100 GB”, explica.
Ataque DDoS: Brasil ataca na mesma medida em que é atacado
Entre os dois métodos, Neiva acredita que o scrubbing é a melhor escolha, visto que as empresas que prestam o serviço são mais especializadas e rápidas que as operadoras. Porém, o scrubing pode ser mais caro. “Paga-se a mais por essa especialidade”, diz.
Por outro lado, os dois serviços são capazes de solucionar apenas ataques volumétricos, não sendo capaz de conter os não-volumétricos, que arremetem sobre a camada de hardware das empresas, consumindo a capacidade dos equipamentos até derrubar a rede. Neste caso, é possível contratar o modelo scrubbing always on, que sempre filtrará o tráfego de rede, antes, durante e depois de um ataque DDoS.
O especialista também lembra que há a possibilidade da empresa adotar o modelo híbrido, adquirindo o appliance necessário para conter o ataque não-volumétrico. “O problema é que o hardware para realizar o trabalho é muito caro. Cabe a empresa avaliar qual modelo é o ideal para si, analisando a quantidade de vezes que sofre um ataque do tipo e qual o seu perfil”, explica. Empresas como e-commerce e sites de apostas, por exemplo, podem ter grandes prejuízos caso saiam do ar, o que incentiva o investimento nesse tipo de tecnologia.
Neiva ainda aconselha que as empresas tenham um plano de emergência para DDoS que deem garantia para que a decisão de utilizar o serviço de scrubbing ou não. “É preciso que a equipe de segurança da empresa saiba a quem reportar o ataque e quem apertará o ‘botão vermelho’ para acionar o scrubbing. A reação deve ser rápida para que não dê tempo do site cair”, afirma.
Além disso, a empresa deve levar em conta que os principais scrubbings centers ficam fora do Brasil e, segundo Neiva, podem causar problemas de compliance, caso as empresas tenham políticas de privacidade, e latência, que atrapalham soluções de criptografia.


