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72% da população brasileira procurou informações ou realizou um serviço público de forma digital

A busca por informações e a realização de serviços públicos on-line cresceram durante a pandemia covid-19. É o que aponta a segunda edição do Painel TIC COVID-19, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). O destaque foi o auxílio emergencial, que puxou a maior parte dos acessos. Considerando esta política pública e outros serviços relacionados os direitos do trabalhador ou previdência social, como INSS e seguro-desemprego, o percentual de 40% de procura ou realização por via digital subiu de 40%, em 2019, para 72% no contexto da pandemia.

Também houve aumento na proporção de usuários que afirmaram realizar serviços públicos integralmente pela Internet, sem precisar sair de casa. Em 2019, apenas 8% dos usuários de Internet haviam declarado ter realizado serviços online relacionados a direitos do trabalhador ou a previdência social, enquanto praticamente um terço dos usuários (32%) acessou esses serviços de forma totalmente remota desde o início da pandemia. Já a emissão de documentos pessoais, como RG e CPF, passou de 6% para 21%.

Já o índice de quem precisou complementar o atendimento do serviço público de forma presencial foi menor que o de quem fez tudo online em todos os itens pesquisados. Apenas os benefícios sociais e saúde tiveram índices relevantes de deslocamento para finalizar o serviço, com 12% e 14% da população saindo de casa.

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Telemedicina 

Autorizadas em caráter emergencial durante a pandemia, 20% dos usuários de Internet utilizou serviços como consultas de saúde on-line ou agendamentos e visualização de resultados de exame pela Internet. Um quarto (25%) dos usuários utilizou aplicativos de triagem virtual para identificar os sintomas da covid-19.

Entre os que realizaram consultas on-line, 63% o fizeram pela rede pública e 50% pela rede privada. O meio mais utilizado para a realização das consultas on-line foi por aplicativos como WhatsApp ou Telegram (50%). Apenas cerca de 30% dos usuários que fizeram teleconsulta utilizaram um aplicativo do SUS ou do plano de saúde. 

Em relação aos serviços de agendamentos ou visualização de resultados de exames pela Internet, os principais motivos para não terem utilizado esse serviço foram: a preocupação com a segurança dos dados pessoais (55%) – sendo que nas classes DE esse motivo foi reportado por 70% dos usuários de Internet – e a falta de confiança em realizar esse serviço pela Internet (34%).

A pesquisa revelou, contudo, desigualdades no acesso a serviços públicos online na área de saúde pública. Agendamentos de consulta foram realizados em menores proporções entre usuários de 60 anos ou mais (38%) se comparados com aqueles de outras faixas etárias. O mesmo foi observado entre usuários das classes D/E (35%) e que vivem na região Norte (31%). 

Metodologia da pesquisa foi diferente  

É importante ressaltar que o Painel TIC Covid-19 tem uma metodologia diferente da adotada nas tradicionais TIC Domicílios divulgadas anualmente pelo Cetic.br, que são feitas com entrevistas pessoalmente. Devido ao distanciamento social, o órgão optou por fazer uma pesquisa online. 

Foram entrevistadas cerca de 2,4 mil pessoas com 16 anos ou mais, amostra que representa um universo de cerca de 97 milhões de pessoas, que corresponde a 80% dos usuários de Internet com 16 anos ou mais. Foram realizadas entrevistas pela web e por telefone, entre os dias 29 de julho e 21 de agosto de 2020. 

O Cetic.br ressalta que a pesquisa não considerou pessoas que não tem acesso à Internet. As comparações com pesquisas TIC Domicílios anteriores foram possíveis porque o Cetic.br fez um recorte dos dados. 

 

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