De acordo com números do (ISC)², organização sem fins lucrativos especializada em treinamentos e certificações para profissionais de cibersegurança, aponta que 78% das pessoas não são suscetíveis a ataques phishing. Porém, Gabriel Bergel, membro da mesa diretora da organização e que participou de seminário sobre segurança da informação realizado hoje (13/2) na Campus Party, aponta que 4% das pessoas sempre vão cair nesse tipo de ataque.
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O número é pequeno, mas não pode ser desconsiderado, avisa o especialista. A incidência de phishing vem aumentando, principalmente atrelados a malwares como o ransomware, como no WannaCry, de 2017.
Mais recentemente, o setor financeiro do Chile foi alvo de ataques de phishing do grupo hacker Lazarus, da Coreia do Norte. Bergel, que é chileno, explica que o modus operandi era realizar um grande ataque em toda a rede e, enquanto a empresa volta suas atenções a ele, atacar diretamente os switches do serviço core da empresa, roubando o dinheiro.
“O ataque é puro phishing. Primeiro um para entrar na empresa e causar a distração. Depois, eles localizam o responsável por monitorar o switch de interesse e fazem um ataque de phishing para ter acesso à máquina”, explica Bergel.
O Banco do Chile foi o primeiro alvo, onde foram roubados US$ 10 milhões, e, meses depois, o mesmo golpe foi aplicado em um consórcio de bancos, causando prejuízo de US$ 5 milhões. Uma rede que controla os caixas eletrônicos no Chile também foi atacada, mas o golpe não teve sucesso.
“O primeiro caso foi uma surpresa, mas no segundo já estávamos mais preparados, por isso a menor perda”, diz. Ainda de acordo com ele, os ataques não foram tão rentáveis comparados com outros crimes do grupo Lazarus, que já roubou cerca de US$ 80 milhões em Bangladesh.
Para Bergel, as empresas são frágeis contra ataques mais complexos de phishing. Apenas 3% detectam uma infecção em minutos, com tempo hábil para reagir, e a maioria peca em medidas básicas de proteção, como educação de usuários e atualização de softwares e hardwares. “O setor financeiro chileno aprendeu isso à força”, afirma.

