Internacional

88% da rede egípcia é cortada

Corte intencional tem o objetivo de evitar dissipação de informações contra o governo de Mubarak.

O corte de Internet no Egito, para conter as manifestações contra o governo de Mubarak, é o maior já ocorrido na história. As autoridades pressionaram os operadores para neutralizar uma ferramenta chave na mobilização, segundo especialistas.
 
“Segundo nossa informação, 88% da rede já não está disponível no Egito. É a primeira vez que isso ocorre na história da internet”, disse Rik Ferguson, especialista da Trend Micro.
 
”As primeiras redes dos maiores operadores do país foram cortadas, no entanto, algumas outras menores ainda funcionam, como a Noor Data Networks. Isto demonstra claramente que não se trata de um problema relacionado à infraestrutura, e sim de uma intervenção humana”, acrescentou.
 
Cerca de 23 milhões de egípcios têm acesso, regular ou ocasional, à internet, ou seja, quase um quarto da população, segundo dados oficiais. Além da internet, as redes móveis também foram interrompidas para evitar o envio de SMS.
 
“Em 24 horas perdemos 97% do tráfego de internet egípcio”, afirma Julien Coulon, cofundador da sociedade francesa Cedexis, uma espécie de controlador de tráfego da rede que redireciona as solicitações de busca dos principais provedores de serviços internacionais em tempo real”, explica.
 
De acordo com Coulon, somente uma pequena parte do tráfego consegue sair. As solicitações provenientes do Egito para se conectar aos sites que o Cedexis redireciona, como Euronews ou Lemonde.fr, somente correspondem a 3% de internautas.
 
No entanto, segundo explica a France24, vários internautas egípcios conseguiram acessar o Twitter para protestar contra a medida do governo. De fato, as palavras “Egito” e “Mubarak” ficaram entre as mais lidas da rede social, nos “trending topics”.
 
Segundo explicam, os egípcios conseguiram acessar a rede mediante a comunicações via satélite, ou utilizando cartões SIM de fora do país.
 
Outro método empregado para o acesso é mediante a um Proxy situado fora do país. Ao utilizar estes servidores, os usuários podem superar a maioria dos controles que o governo impôs.
 
Os especialistas afirmam que este é o primeiro corte de internet autoritário em grande escala, dado que os cortes anteriores, como os de Birmânia em 2007 e Irã em 2009, com protestos populares, foram temporários e específicos.
 
Assim, durante os protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, o Twitter e o Facebook foram bloqueados. Na Birmânia, por outro lado, as conexões à internet foram cortadas vários dias antes das manifestações.
 
“Ainda que, até agora, as autoridades egípcias não tenham realizado nenhuma sistemática de filtragem, houve um controle maior das atividades na internet”, disse Soazig Dollet, responsável pelo setor no Oriente Médio e norte da África.
 
“A diferença de outros países como Túnez, o governo egípcio não pode pressionar um botão para realizar o corte. No entanto, há, sem dúvida, pressão sobre os operadores, que já não nos atendem para dar explicações”, garante.
 
Para Dollet, a Internet é uma ferramenta da democracia e, portanto, um governo que se sente desestabilizado pode considerar exercer pressão sobre os operadores para cortar este acesso.
 
O Egito tem quatro provedores de acesso à web, cuja licença é expandida pela autoridade reguladora das telecomunicações do páis: Link Egypt, Vodafone/Raya, Telecom Egypt e Etisalat Misr.
 
*Informações de agências internacionais.
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