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9 pontos para uma cidade se tornar inteligente, segundo a KPMG

Smart city and IoT (Internet of Things) concept. ICT (Information Communication Technology).

O relatório “From Smart to Smarter Cities”, desenvolvido pela KPMG International, examina como as cidades podem se tornar mais integradas, orientadas por dados e capacitadas para acelerar sua transformação digital. A pesquisa reúne insights de líderes urbanos, especialistas em infraestrutura e formuladores de políticas em diversas partes do mundo, além de destacar estudos de caso de cidades que estão inovando em áreas como mobilidade, governança, sustentabilidade e financiamento.

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Com base em desafios urbanos emergentes e tendências tecnológicas, o relatório propõe soluções para superar a fragmentação das iniciativas de cidades inteligentes e enfatiza a necessidade de colaboração entre setor público e privado para atingir objetivos de longo prazo. Confira abaixo os dez principais pontos abordados no relatório “From Smart to Smarter Cities”:

A necessidade de integração nas cidades inteligentes

O relatório destaca que muitas cidades ainda operam com soluções isoladas para diferentes desafios urbanos, como mobilidade, energia e habitação. No entanto, a falta de integração entre esses setores reduz a eficiência e o impacto das iniciativas.

Para que uma cidade seja realmente inteligente, é necessário um planejamento urbano holístico, onde diferentes áreas estejam conectadas e compartilhem dados e infraestrutura. Isso envolve parcerias entre governos, empresas e universidades para garantir que as soluções implementadas tenham continuidade e sejam escaláveis.

Cidades como Singapura e Copenhague são exemplos de locais que conseguiram integrar planejamento, tecnologia e governança para melhorar a qualidade de vida da população. A cidade-estado estabeleceu um escritório nacional para cidades inteligentes logo no início da sua jornada digital, permitindo que as iniciativas fossem coordenadas desde a concepção.

Já a capital da Dinamarca adotou um modelo de governança descentralizado, permitindo que diferentes setores colaborem na criação e execução de políticas urbanas. Além disso, dados urbanos são amplamente compartilhados entre órgãos governamentais e empresas privadas, permitindo que soluções inovadoras sejam implementadas com base em informações concretas.

O papel dos dados na tomada de decisões

A coleta e o uso eficiente de dados são essenciais para transformar cidades em espaços mais inteligentes e responsivos. No entanto, o relatório aponta que muitos gestores urbanos ainda enfrentam dificuldades para acessar informações precisas e em tempo real. Uma governança de dados bem estruturada permite que os tomadores de decisão avaliem impactos de políticas públicas e identifiquem áreas que precisam de mais investimento.

Tecnologias como sensores urbanos, análise preditiva e inteligência artificial podem ajudar a prever demandas de transporte, consumo de energia e padrões de deslocamento da população. Sem uma estratégia robusta de dados, as cidades continuarão a operar de forma reativa, em vez de proativa.

A mobilidade como peça-chave na transformação urbana

Um dos grandes desafios das cidades modernas é garantir que as pessoas se desloquem de forma eficiente e sustentável. O relatório aponta que a integração de modais de transporte, como metrôs, ônibus, bicicletas e veículos elétricos, deve ser priorizada para reduzir congestionamentos e emissões de carbono.

Tecnologias como bilhetagem digital integrada, análise de tráfego em tempo real e transporte sob demanda podem melhorar significativamente a mobilidade urbana. Além disso, cidades que investem em infraestrutura para pedestres e ciclovias tendem a apresentar melhor qualidade de vida e redução da poluição do ar.

Exemplos bem-sucedidos incluem Londres, Amsterdã e Bogotá, que adotaram soluções inovadoras para transformar seus sistemas de mobilidade. O sistema de transporte londrino disponibiliza dados públicos sobre trânsito, horários e localização de veículos, o que facilitou o desenvolvimento de aplicativos como Citymapper, que ajuda os cidadãos a planejarem suas viagens de maneira eficiente​.

Em Amsterdã, barcos elétricos autônomos são usados para transporte de mercadorias e passageiros nos canais da cidade, reduzindo a dependência de caminhões e diminuindo as emissões de carbono. Na capital da Colômbia, as soluções são menos tecnológicas, mas conseguem integrar modais de transporte de forma eficiente através de integração de tarifas e um BRT.

Governança e transparência como fatores críticos

O relatório aponta que muitas iniciativas falham porque as decisões são tomadas sem a participação da sociedade ou sem um modelo claro de gestão. Processos de governança digital, por outro lado, podem ajudar a garantir que informações sobre planejamento urbano, gastos públicos e impactos ambientais estejam disponíveis para todos.

Além disso, a segurança cibernética precisa ser fortalecida, pois cidades cada vez mais conectadas também se tornam alvos de ataques digitais. Modelos de governança aberta, onde cidadãos têm acesso e participação ativa, criam ambientes mais confiáveis e colaborativos.

Sustentabilidade e equidade social

A transição para cidades mais inteligentes não pode acontecer sem considerar a equidade social e a sustentabilidade ambiental. O relatório destaca que, em muitas cidades, tecnologias avançadas são implementadas apenas em áreas mais ricas, ampliando a desigualdade entre bairros. Para que a transformação urbana seja inclusiva, políticas devem garantir acesso equitativo a moradia, transporte e infraestrutura digital.

Além disso, soluções sustentáveis, como energia renovável, reutilização de água e edifícios eficientes, devem ser prioridades para reduzir o impacto ambiental das cidades. Cidades como Portland e Estocolmo se tornaram referências globais ao integrar inovação tecnológica com justiça social e preservação ambiental.

Novos modelos de financiamento para infraestrutura urbana

Um dos maiores obstáculos para a modernização das cidades é o financiamento de infraestrutura inteligente e sustentável. O relatório aponta que, para superar essa barreira, as cidades precisam explorar novos modelos de investimento, incluindo parcerias público-privadas (PPPs), financiamento baseado em impacto social e instrumentos financeiros inovadores, como títulos verdes.

Muitos governos enfrentam restrições orçamentárias que limitam investimentos de longo prazo, tornando essencial a busca por fontes alternativas de capital. Países como Canadá e Singapura têm demonstrado que a combinação de financiamento privado com incentivos governamentais pode acelerar a transformação urbana sem comprometer as contas públicas.

Uso de tecnologias emergentes como IA e gêmeos digitais

O relatório enfatiza que as cidades que utilizam tecnologias emergentes para otimizar seus processos são mais eficientes e resilientes. Gêmeos digitais, que são representações virtuais de infraestruturas urbanas, permitem testar cenários antes da implementação real, reduzindo custos e minimizando erros.

Já a inteligência artificial (IA) pode ser usada para prever padrões de consumo de energia, detectar falhas em redes de transporte e melhorar o planejamento urbano. Além disso, blockchain pode garantir mais segurança em transações governamentais e contratos públicos. A adoção dessas tecnologias já é uma realidade em cidades como Xangai, New York e Dubai, que utilizam soluções digitais para transformar sua governança e operação.

Xangai é o melhor exemplo neste quesito, pois já utiliza gêmeos digitais e IA para simular cenários e controlar o tráfego e a poluição. A cidade também desenvolveu um Centro de Gestão Integrada de Dados, que coleta informações de sensores IoT, câmeras e dispositivos inteligentes espalhados pela cidade. Esses dados são utilizados para melhorar a eficiência energética, otimizar a mobilidade urbana e fortalecer a segurança pública.

Já em New York, destaca-se a plataforma NYC Open Data, que disponibiliza dados sobre transporte, habitação, meio ambiente e segurança pública. Esses dados são usados por empresas e pesquisadores para desenvolver soluções que beneficiam a população. Outro avanço é o uso de IA para análise de dados urbanos, permitindo que o governo antecipe necessidades em setores como saneamento, policiamento e manutenção da infraestrutura.

Por fim, uma das principais inovações é a Dubai Blockchain Strategy, que utiliza tecnologia blockchain para garantir segurança e transparência na gestão de contratos governamentais, reduzindo fraudes e burocracia.

O impacto das mudanças climáticas no planejamento urbano

Com o aumento das temperaturas, enchentes e desastres naturais, cidades precisam se tornar mais resilientes para enfrentar os desafios climáticos. O relatório destaca que adaptação climática deve ser um pilar central no planejamento urbano, priorizando soluções como infraestrutura verde, drenagem sustentável e edifícios resistentes a desastres naturais.

Além disso, as cidades precisam reduzir sua pegada de carbono, investindo em fontes de energia renovável e transportes mais limpos. Cidades como Copenhague e Tóquio já estão implementando estratégias climáticas agressivas para garantir que suas infraestruturas sejam preparadas para os desafios do futuro.

A importância da participação cidadã

Cidades inteligentes não podem ser planejadas apenas por especialistas e governantes; a participação da população é essencial para o sucesso das iniciativas. O relatório enfatiza que cidades que envolvem cidadãos na tomada de decisões tendem a ter projetos mais eficientes e melhor aceitos pela sociedade. Ferramentas como plataformas de participação digital, orçamentos participativos e consultas públicas online podem ser usadas para coletar opiniões e sugestões.

Além disso, educar a população sobre o uso da tecnologia e os benefícios das cidades inteligentes é fundamental para que as inovações sejam bem recebidas. Em Barcelona, há uma plataforma digital de código aberto que permite que cidadãos participem de debates, sugiram políticas públicas e votem em projetos urbanos. Essa ferramenta fortalece a democracia participativa, garantindo que a população tenha voz ativa na administração da cidade.

O relatório “From Smart to Smarter Cities” reforça que o futuro das cidades está na integração inteligente de dados, infraestrutura e governança, garantindo que a transformação digital seja sustentável, inclusiva e eficiente. Para superar os desafios urbanos do futuro, os gestores públicos e empresas precisam trabalhar juntos, adotar modelos de governança mais dinâmicos e utilizar dados e tecnologia para impulsionar decisões estratégicas.

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