Cloud Computing

Brasil é exceção em cenário global de alta nos preços de data centers

Enquanto o mundo enfrenta um forte aumento nos preços e uma crise de capacidade em data centers, o Brasil desponta como exceção: São Paulo registrou uma queda de 20,8% nos preços médios por kW/mês, segundo o relatório Global Data Center Trends 2025, da CBRE. Na contramão dos grandes mercados internacionais, a capital paulista e outros centros latino-americanos, como Santiago (Chile), que viu retração de 13,7%, estão se consolidando como rotas de fuga para empresas pressionadas pela explosão da demanda por infraestrutura de IA.

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A média global de preços de colocation subiu 3,3% no primeiro trimestre de 2025, alcançando US$ 217,30 por kW/mês. Mas esse número esconde aumentos ais agressivos em hubs tradicionais: Amsterdam (18%), Chicago (17,2%) e Virginia do Norte (17,6%) enfrentam um “apagão de capacidade”, com taxa média de vacância global em queda para 6,6% – e apenas 1,9% nos principais mercados da América do Norte.

A escassez é tamanha que, em muitos desses centros, não há praticamente capacidade disponível para novos contratos até 2027. Empresas que necessitam de grandes volumes de energia (10 MW ou mais) não conseguem contratar novos espaços, a não ser por meio de pré-reservas com anos de antecedência.

IA acelera a corrida por espaço

A razão por trás da crise é clara: a inteligência artificial está redesenhando a geografia dos data centers. Hiperscalers como AWS, Microsoft e Google, junto a startups de IA, estão absorvendo capacidades massivas com contratos fechados antes mesmo das obras começarem – um fenômeno que analistas passaram a chamar de “braggawatt”, em referência à especulação de energia computacional.

“Essa escassez deixou de ser apenas um reflexo da demanda real. Agora é uma característica estrutural do mercado”, afirma Sanchit Vir Gogia, analista-chefe da Greyhound Research.

Brasil vira opção estratégica

Com os grandes centros saturados e caros, mercados secundários e emergentes ganham protagonismo. Em São Paulo, a combinação de infraestrutura madura, custos mais baixos e oferta ainda disponível fez com que os preços caíssem ao longo de 2024 e 2025. Esse recuo de 20,8% nos custos coloca o Brasil no radar de multinacionais que antes preferiam colocation nos Estados Unidos ou Europa.

“Flexibilidade geográfica é agora essencial. Mercados como São Paulo e Santiago oferecem um equilíbrio valioso entre custo, estabilidade e infraestrutura”, explica Anshuman Magazine, CEO regional da CBRE.

O que isso significa para as empresas brasileiras?

Apesar do cenário global adverso, empresas brasileiras têm a oportunidade de negociar contratos em um dos raros mercados em queda de preços. Porém, esse “respiro” pode não durar: com a demanda de IA crescendo também no país, e com os players globais diversificando suas operações, especialistas alertam para uma possível reversão da curva em 2026.

Empresas que desejam garantir preço e disponibilidade devem:

  • Reavaliar orçamentos e planejar capacidade de 5 a 10 anos.

  • Priorizar acesso a energia, resfriamento eficiente e interconexão com grandes nuvens.

  • Explorar contratos flexíveis e modelos híbridos (on-premises + cloud).

  • Avaliar Tier 2 no Brasil, como Campinas, Curitiba e Recife, onde há menor concorrência.

Workloads de IA consomem até quatro vezes mais energia por rack e exigem infraestrutura especializada. A Forrester declarou ao site NetworkWorld que há sinais claros de especulação e bolha no mercado global de data centers – um risco que, por ora, parece mais distante da realidade latino-americana, mas que pode chegar rapidamente se não houver planejamento.

Em resumo:

  • Brasil registra queda de até 20,8% nos preços de data centers – na contramão do cenário global.

  • Crise global de capacidade se agrava: vacância média em 6,6%, e apenas 1,9% nos EUA.

  • IA pressiona mercado e cria fenômeno de pré-reservas especulativas.

  • Empresas brasileiras têm janela de oportunidade para garantir espaço a preços competitivos – mas precisam agir rápido.

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