Economia Digital

Corrida por IA expõe falhas nos dados; Dedalus cresce com soluções

A consolidação dos negócios digitais e a dependência crescente de dados nas operações corporativas estão redefinindo o mercado de TI no Brasil. Esse movimento, destacado pelo estudo IT Trends Snapshot 2025 da Logicalis – que mostra que a maior parte das empresas já opera modelos de negócio sustentados por dados, automação e serviços digitais – tem impulsionado uma corrida por modernização que, segundo a Dedalus, ainda encontra um gargalo crítico: a baixa qualidade das bases de dados.

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Maurício Fernandes, CEO da Dedalus, explica que a inteligência artificial “acelerou um processo que já era inevitável”: toda iniciativa de IA, seja generativa ou analítica, depende de dados estruturados, governados e confiáveis. “O fenômeno atual é curioso. O vendedor sai para falar de IA e volta com um projeto de dados. As empresas entenderam que não existe IA útil sem dados bons. E esse é justamente o ponto mais frágil das organizações”, afirma.

Com 36 anos de atuação e parcerias consolidadas com Microsoft Azure, Google Cloud, AWS, Databricks e outros fornecedores estratégicos, a Dedalus vem se reposicionando como especialista em apoiar empresas na jornada de modernização, migração e governança de dados. Fernandes explica que, em muitos projetos, o problema não é a falta de dados – mas o excesso deles. “Já tivemos casos em que recomendamos eliminar 80% das bases. O desafio não é volume, é relevância. Dado ruim, dado duplicado, dado sem contexto… Isso trava tudo”, diz.

A demanda pressionada pela IA vem mudando também o perfil profissional da companhia. A Dedalus construiu um time amplo de cientistas de dados e especialistas em governança, todos contratados via CLT, com salários acima da média e benefícios estendidos às famílias. O investimento em formação inclui ainda a parceria com a Escola da Nuvem, trazendo jovens em situação de vulnerabilidade e também profissionais 60+ que buscam recolocação.

O impacto prático dessa transição aparece no tipo de projeto entregue: melhorias em comunicação com clientes baseadas em insights automatizados, uso de machine learning em logística para definir rotas e tipos de caminhão, análise preditiva para apoiar negócios afetados por mudanças climáticas – inclusive uma operação no Chile, onde a Dedalus ajuda a correlacionar dados ambientais e desempenho corporativo. Segundo Fernandes, “os projetos de hoje já nascem com IA embutida”, mas isso também traz um alerta: poucas empresas otimizam o uso de GPU, e por isso o custo da GenAI deve explodir em dois ou três anos.

O estudo da Logicalis reforça esse cenário: embora a IA seja prioridade estratégica, a maior barreira continua sendo a capacidade de integrar dados legados, sistemas antigos e fluxos parciais ou inconsistentes. Isso faz com que, na prática, as organizações vivam tensão entre dois polos – resistência para tratar dados e ansiedade pela entrega rápida. “Esse descompasso gera decisões ruins. Muitos querem o resultado antes de preparar a base”, diz o CEO.

A Dedalus tem automatizado de forma massiva sua própria operação para acelerar a entrega de projetos – são cerca de 200 pessoas dedicadas. Os resultados sustentam o crescimento. Com transações mais rápidas e vendas em alta – projetos típicos têm duração de três a seis meses e valores acima de R$ 100 mil – a Dedalus prevê ampliar o faturamento em 30% e se aproximar dos R$ 500 milhões em 2025. No plano geográfico, a operação hoje presente no Brasil, Chile e Argentina deve se estender para Colômbia e México até 2030, consolidando a ambição de se tornar uma empresa regional de tecnologia em toda a América Latina.

Os setores com maior tração incluem saúde, educação e agronegócio – este último em forte aceleramento digital devido à automação e à adoção crescente de sensores, telemetria e análises preditivas. “O agro é hoje um dos que mais sofrem com a falta de dados integrados, mas também um dos que mais ganham quando resolvem esse problema”, resume Fernandes.

O diagnóstico da Dedalus converge com a fotografia trazida pela Logicalis: o mercado entrou numa fase em que praticamente todo negócio já é digital – mesmo quando não se reconhece como tal – e a capacidade de operar dados deixou de ser diferencial e passou a ser sobrevivência. “GenAI obrigou todo mundo a arrumar a casa. Nosso trabalho é ajudar as empresas nessa missão”, conclui o CEO.

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